terça-feira, 29 de novembro de 2011

Desenho da traseira Puma Conversível

O Puma conversível foi apresentado no Salão do Automóvel de 1970, uma novidade admirada por todos chamada GTE Spider.Logo no início da produção, ele ainda tinha as rodas modelo "tijolinho", mas somente nas primeiras unidades fabricadas, logo depois passou a contar co as exclusivas rodas "estrela" da Puma, como na foto abaixo. A capota rígida, ao contrário que muita gente pensa, só foi lançada para o modelo 1972, como podemos ver aqui. Esta capota foi fabricada até inicio de 1976.Dadas as devidas iniciações para os mais leigos, vamos a parte que interessa sobre o desenho da traseira do Puma conversível, onde muitos ainda não conseguem entender.
O primeiro GTE Spider, em termos de desenho, nada mais era que um GTE cortado e o estilo resultante, com reforços para um modelo com capota articulada. Para conciliar o novo desenho de conversível, o capô traseiro foi ampliado e em posição horizontal. Criada a uma capota conversível em tecido de vinil com forma diferente ao modelo que lhe deu origem. As tomadas de ar para refrigeração do motor tiveram que ser mudadas, agora entram pelo capô traseiro e por baixo do chassis. O aerofólio que vemos na foto era um item opcional. Esse especificamente do modelo 1971, porque no modelo 1972 ele mudou, ficando mais largo e mais baixo. A partir de 1973 com a chegada da nova carroceria para o GTE, o Spider também mudou. Primeiro passou a ser chamado de GTS. E o mesmo processo feito anteriormente foi adotado no novo GTS, cortaram uma carroceria de GTE para criar o conversível. Outros detalhes de carroceria foram alterados em relação ao modelo GTE Spider. As tomadas de ar do capô traseiro deixaram de ser dupla para ser única. O painel traseiro, para-lamas, e toda frente interna e externa passou a ser igual ao novo GTE. Nesse modelo, não houve problemas de desenho para criar um conversível, suas linhas aceitaram bem a nova proposta.
No modelo seguinte lançado em março de 1976, a Puma continuou com sua teoria de cortar o GTE para transformar em conversível. Como havia sido trocado o chassis, agora de VW Brasília, ante ao chassis de Karmann Ghia mais estreito, o resultado não foi tão bom. Como a carroceria do novo GTE era mais larga e teto mais alto que o modelo anterior (tubarão), o resultado desse corte deixou o desenho a desejar. A traseira ficou com uma aparência de caída em relação a lateral e a frente. O capô não era tão horizontal como o GTS anterior e como a traseira toda era mais larga, o painel traseiro mais comprido deixava o visual estreito, aumentando a impressão de traseira caída. A somatória desse desenho resultou no apelido criado pelo público: bunda caída. Enquanto as vendas do GTE aumentaram em mais de 30% com o novo modelo, as do GTS caíram em 5%.
O problema foi corrigido um ano depois, com o lançamento do novo GTS com traseira reta, assim chamado pelo público. Para isso a Puma mudou toda a traseira, suas linhas laterais em direção a traseira caíam suavemente, resultando em um painel traseiro maior e capô quase na horizontal. A harmonia das linhas agora estavam corretas, agradando aos olhos e deixando o conversível mais imponente. Foi o suficiente para que no ano seguinte, 1978, o GTS ultrapassasse as vendas em 10% do carro chefe da empresa, o GTE. Em relação ao ano anterior, em que parte do ano de produção era bunda caída e outra parte de traseira reta, as vendas subiram em 36%. Nesse ano de 1977 as vendas do GTS dobraram em relação a 1976.
No final de 1980, como modelo 1981, a Puma modificou a frente e traseira do coupê e consequentemente a do conversível, com novos nomes: GTI para o coupê e GTC para o conversível. A mudança foi uma modernização das linhas, hoje rejeitada por alguns e adoradas por outros. Mas na verdade, a fabrica precisa rejuvenescer seu produto e a moda era para-choques integrados e lanternas envolventes, sendo esta, a do VW Brasília, era a mais querida do mercado, imitando com muito mais glamour, o estilo das lanternas dos Mercedes Benz da época. O primeiros GTC tinham a saia traseira e spoiler dianteiro pintados de preto. As letras garrafais escrito Puma era mais para divulgação, ninguém tinha coragem de sair com um Puma com esses adesivos.
O processo de desenho do GTC foi o mesmo dos antigos GTE Spider, cortando a capota, o desenho resultante era o conversível. Como o novo GTI tinha o capô traseiro mais horizontal em relação ao antigo GTE, o corte simplesmente resultou em um desenho bonito, não transparecendo que a traseira estava caída. Além disso, as lanternas indo até as extremidades deixaram a aparência mais larga do painel traseiro, diminuindo o efeito anterior. Esse painel traseiro do GTC é o mesmo do GTI. A partir de 1982 a Puma deixou de pintar o spoiler e saia traseira em preto fosco automotivo ficando uma traseira mais harmoniosa.
Ele foi assim até o final da produção em 1984.
Em 1986 foram produzidos alguns GTC e GTI pela Araucária, chamados de Puma Kit, porque o proprietário levava a mecânica e chassis e a fabrica montava o carro. Devido a dívidas com a Volkswagen, esta não fornecia mais a mecânica zero km. Foi a saída encontrada pela empresa. Quando o Grupo Alfa Metais comprou a Araucária, pagou as dívidas com a Volkswagem e esta voltou a fornecer toda a mecânica, mas a Alfa Metais não produziu GTC E GTI, apenas o substituto do P-018, os AM1 e AM2, com mecânica VW boxer a ar.
Para que não haja dúvida no entendimento das traseiras, primeira, bunda caída e reta, vai uma foto com as três juntas para comparação.

14 comentários:

SARUE SARUA disse...

DESCULPE, MAS TENHO DUVIDAS...
DÁ PRA REPETIR TUDO NOVAMENTE ?
E NAO ME APAGUE, HEIN ????

Marcos Gagliardi disse...

Ha...ha...ha...muito engraçado o Saruê! Posta mais?

branquinho disse...

Não sei porque mas a 1ª geração do Puma GTS é a mais charmosa hehehe :) Valew Felipe, obrigado pela força! Branquinho

Anônimo disse...

Novamente mais uma aula de qualidade e conhecimento.
Valeu prof., e obrigado.
Abraços.
Acacio.

walter ramos disse...

Pessoalmente prefiro os conversiveis do inicio do lançamento (73 a 76).
A estética do carro é muito mais compativel com seu perfil, independentemente da tomada de ar traseira ser com uma ou duas aberturas.
Não desmereço nenhum dos outros modelos, tambem os acho bonitos.
A mim não incomodaria ter qq um deles .

Walter

smarca disse...

Os GTS de 1973 até 1976 1a. série estão alinhados com o design da época e são muito bonitos.

Os GTS de 1977 2a. série até 1980 representam uma modernização harmoniosa do desing original e são também muito bonitos.

Apenas não curto muito o design dos GTS 1976 2a. série até 1977 1a. série.

E, dentro desta linha, considero ainda os GTS 1978 como o ano dos GTS, antes do que, particularmente, considero o início do empobrecimento do acabamento dos Pumas VW a ar, tal como o painel injetado, o friso polido do para-brisa, o brucutu com capa inox, etc.

Claro, há que se considerar as tendências que começaram a mudar nesta época, reinado do preto fosco, por exemplo.

Coincidentemente meu GTS é um 1978 e, coincidentemente, em 1978 completei 18 anos. Mas naquela época tudo o que podia fazer era olhar os Pumas quando passavam diante dos meus olhos.

Ricardo Thome disse...

Eu sou suspeito pra falar... mas eu concordo com o Walter, acho as GTS de 73 a 76, muito lindas!

Adão Emilio disse...

pooo, que aula heim, parabens.
sds. a todos.

Dr. JMM disse...

Gosto muito, mas muito mesmo, muuuuito mesmo das Spyder 71. gosto tanto que até tenho uma... hehehee

Morello disse...

Parabéns pela aula!! nao poderia ser mais esclarecedor, eu sou suspeito para falar mas particularmente gosto de todos os modelos!!! até os de bunda caida
Abraço a todos!!
Morello

Julien B disse...

A pergunta que faço... a saia traseira tem alguma função além de esconder a ferragem do escapamento? Em 2014 realizei meu sonho de criança de comprar meu puminha. Porém, comprei-o para ser meu carro de uso.
A saia foi o pesadelo. Em qualquer lombada, quebrava. Vários esportivos dos anos 60 não têm saia: Ferrari 275, Aston Martin DB4, ATS 2500 GT.
Nestes, a ferragem do escapamento é exibida e a traseira fica mais elevada.
Como disse, eu uso diariamente o meu Puma e nem sequer cogito em ir a qualquer lugar sem ele. Por isso estou considerando seriamente livrar-me da traseira até o dia em que decidir vender o carro (tenho há meses uma saia feita pelo Rubbo, mas que tive o bom senso de não instalar).

Felipe Nicoliello disse...

Julien, o problema do Puma é idêntico aos outros VW com motor a ar pendurado na traseira, com isso, a parte depois do eixo traseiro fica um pouco longa, ao contrário dos carros que vc citou e quanto maior a traseira, menos o ângulo de saída de uma depressão. Para não aumentar muito a traseira como é no Fusca ou Kombi, os desenhistas criaram essa "cobertura", bem visível no Brasilia e VW SP2. No Puma nem tanto, pois ela é uma sequencia do painel traseiro, não dá o aspecto de "aplique" como nos modelos VW citados. Não tem importância técnica que o Puma estiver sem, afinal essa saia tem aberturas para saída do ar quente da parte baixa do motor. Se estiver sem, esse ar saíra mais rápido, só que em contrapartida, a estética do Puma ficará muito feia, pois o escapamento de uma motor a ar, não é uma das melhores visões em escapamento, ele é feio mesmo. Se não se importar, deixe assim e guarde a saia original para um dia colocar.

Julien B disse...

Felipe, muito obrigado pela resposta imediata e esclarecedora.
Bacana entender melhor a razão de ser da peça (como o meu é 79, a linha da saia é demarcada em toda a volta, diferente das traseiras dos tubarões)
E de fato, no SP2 fica a sensação de algo postiço.
Mas se a visão do escapamento é feia, fibra quebrada é mais ainda. Vou retirar a saia então.
Olhar as elevações das linhas dos faróis no capô ao dirigir e ouvir os roncos em cada mudança de marcha são pra mim alegrias diárias em que realmente me viciei.
Um grande abraço,

Daniel Pardo disse...

Deixa eu ver se eu entendi... os Pumas conversíveis até 1977 1ª série nada mais eram do que os modelos de teto rígido com o teto cortado, por assim dizer e que a partir da 2ª série eles passaram a ter desenho próprio??