sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Anuncio (117) Phanter e Playbor

Nenhum desses produtos são originais Puma, NÃO são! A publicação é a título de curiosidade. Muitas pessoas nunca ouviram falar de espelho retrovisor externo antena, mas existiu fabricado pela Panther, o mesmo fabricante de espelhos e volantes Puma. Esse espelho não pegou no mercado, mas surgiu muito antes das famosas antenas eletrônicas, porque o anuncio foi veiculado em 1972. O outro anuncio é para mostrar que existiam diversos fabricantes e variações do espelho tipo copinho, com formatos similares e suportes singulares. Esse tipo de suporte "torre" foi muito utilizados nos carros de corrida, pois situavam-se em uma posição mais visível para o piloto.   

Artigo (45) Revista Quatro Rodas 1972

Esse artigo publicado na seção Painel da revista Quatro Rodas fala sobre as exportações Puma e seus problemas. Como já disse em publicações anteriores, o fabricante tem que se adequar as exigências locais, seja do importador, seja da legislação. E com a Puma não foi diferente teve que subir a 40 cm do solo a lanterna dianteira de seu esportivo para atender a legislação Suíça. Nesse artigo falam em lanterna traseira, na verdade o problema com o Puma era a lanterna dianteira abaixo do para-choque, afinal a lanterna traseira sempre esteve a mais de 50 cm. O para-brisa laminado foi outro problema encontrado, que no final facilitou a manutenção do veículo, porque conseguiram a fabricação dessa peça na Europa.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Sistema de ar quente GT/GTE/GTS/GTI/GTC (2)

Falei anteriormente do sistema de ar quente Puma aqui. Hoje completamos outra parte da matéria, a ligação da mufla que envolve o cano de escapamento, com a caixa de ventilação do motor (ventoinha).
Conforme o Catalogo de Peças do Concessionário, as peças que unem o sistema são duas. A mais conhecida, feita de plástico sanfonado vai entre a lata do compartimento do motor até a ventoinha. A segunda peça pouco conhecida é um tubo flexível de borracha sanfonado, que liga a mufla a outra peça dee plástico sanfonada. Esse sistema é todo Volkswagen, igual em todos modelos da linha VW a ar.
Como borracha estraga com o tempo, somados a difícil tarefa de comprar essa peça original, mesmo na época em que era fabricada, os proprietários substituíam por tubos de alumínio flexível, de encaixe perfeito e durabilidade muito maior.
 Abaixo fotos com várias posições da entrada da mufla, que recebe o ar forçado da ventoinha para ser aquecido na mufla, depois direcionado para uma válvula comandada pelo motorista, que abre ou fecha essa passagem do ar, posteriormente indo para uma tubulação incorporada na carroceria, que leva ao interior do veículo.
 
 
 
 
Na foto abaixo um Puma sem a mufla e a ligação do sistema de ar quente. 

Para-choques Puma 1975 a 1980

Os para-choques Puma desde seu início eram de fibra de vidro integrados na carroceria e recebiam capas de aço cromadas como acabamento. No começo essas capas tinham o perfil arredondados, mas partir de algum momento de 1975, elas passaram por uma pequena mudança estética. Nas extremidades vieram dois vincos, superior e inferior deixando as capas de para-choques mais "quadradas".  A base de fibra permanecia a mesma.
A fabricação desses para-choques era através de estampo e a fabrica que fazia para Puma perdia a metade das capas estampadas. Como a peça é muito fechada, na hora da pancada da ferramenta poderia ter alguma movimentação, que alterava a peça estampada, inutilizando-a. Para se ter noção da difícil tarefa de estampar essa peça, só mesmo conhecendo o processo de fabricação.
Hoje em dia as reproduções são feitas manualmente (no martelo) e não se consegue fabricar nesse processo manual, o modelo com vincos. Então só temos o modelo anterior totalmente arredondado para compra de peças novas. 
Para uma boa durabilidade das capas de para-choques deve-se passar graxa limpa na parte interna, onde acumulada água e umidade. A graxa fará a proteção do metal. A cada dois anos é bom renovar o processo, limpando a graxa velha e colocando nova.

Vista Aérea - GTS 1980 e GTS 1979

O clique foi dado pelo meu amigo Marco Rinaldi no Guarujá, praia paulista.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Mundo Animal - Dogde

Três paixões: o Puma, a proprietária do Puma e meu companheiro Dogde, um Yorkshire Terrier dentro do Puma. Agora ferrou, a proprietária vai saber donde apareceram alguns cabelos mesclados de dourado ao azul aço, sim porque o Yorkshire não tem pelos e sim cabelos. Nesse dia, como na maioria do tempo, estavam bem despenteados. Também com espirito irrequieto dele,  hiperatividade e dom para saltos de até 1,00 de altura, não há cabelo que pare penteado.

Inspeção Veicular (12) Isenção abaixo de 1965

A notícia já corre solta na Internet. Para a cidade de São Paulo onde existe a temerosa Inspeção Veicular, a nova portaria sancionada ontem diz que veículos do ano de 1965 e abaixo estão isentos da inspeção. Para nosso planeta Puma isso não ainda muita coisa, porque o único Puma fabricado em 1965 já era isento da inspeção por ter motor 2 tempos, o GT Malzoni. 
Só para teste fui no site da Controlar, empresa que detém os direitos da inspeção e tentei agendar a vistoria para um Fusca 1955, que ano passado sofreu para ser aprovado e vejam a mensagem que apareceu:
O meu amigo Lemos do Fusca Clube demorou mas achou a portaria.

PORTARIA-06 /SVMA.G/2012

EDUARDO JORGE MARTINS ALVES SOBRINHO, Secretário Municipal de Verde e do Meio Ambiente, autoridade municipal do Sistema Nacional do Meio Ambiente, no uso de suas atribuições legais e de acordo com a Lei Orgânica do Município de São Paulo, com a Lei Municipal nº 11.426/93 e com o Decreto Municipal nº 42.833/2003 e,
CONSIDERANDO que o Programa de Inspeção e Manutenção de Veículos em Uso – I/M-SP, instituído pela Lei Municipal nº 11.733/95, alterada pela Lei Municipal nº 12.157/96 e Lei Municipal nº 14.717/08, visa à avaliação da conformidade dos veículos em uso com suas especificações originais e foi implantado conforme Decreto Municipal nº 49.463/08 e revogado pelo Decreto Municipal nº 50.232/08;
CONSIDERANDO que o Decreto Municipal nº 52.118, de 07 de fevereiro de 2011, instituiu na Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, a Comissão de Implantação e Execução do Programa de Inspeção e Manutenção de Veículos em Uso do Município de São Paulo;
CONSIDERANDO que a Lei nº 10.203, de 22 de fevereiro de 2001 estabelece que compete ao Poder Público Municipal, dos municípios com frota total igual ou superior a três milhões de veículos, no desenvolvimento de seus Programas estabelecer processos e procedimentos diferenciados, bem como limites e periodicidades mais restritivos, em função do nível de comprometimento do ar;
CONSIDERANDO que o Decreto n.º 50.232, de 17 de novembro de 2008, dispõe que a frota-alvo a ser inspecionada será definida pela SVMA e que a Resolução CONAMA n.º 418/2009 permite a ampliação e restrição a critério do órgão responsável;
CONSIDERANDO que a Portaria Normativa nº 8 do IBAMA de 27 de abril de 2009 Autoriza a comercialização do estoque de passagem de motociclos e similares de cada empresa solicitante detentora de LCM válidas para as fases PROMOT II para veículos produzidos ou importados até 31 de março de 2009;
CONSIDERANDO a Resolução CONAMA nº 418, de 25 de novembro de 2009, regulamentada pela Instrução Normativa IBAMA nº 06/2010 que estabelece os prazos de implantação do programa e requisitos técnicos para a avaliação do estado de manutenção dos veículos em uso;
CONSIDERANDO a Resolução CONAMA nº 418, de 25 de novembro de 2009, regulamentada pela Instrução Normativa IBAMA nº 06/2010 que estabelece os prazos de implantação do programa e requisitos técnicos para a avaliação do estado de manutenção dos veículos em uso;
RESOLVE:
Art. 1º São objetos da inspeção anual de que trata o Programa de Inspeção e Manutenção de Veículos em Uso - I/M-SP, instituído pela Lei nº 11.733, de 27 de março de 1995, alterada pelas Leis nº 12.157, de 9 de agosto de 1996, e nº 14.717, de 17 de abril de 2008, as seguintes classes de veículos automotores, independentemente do sistema de propulsão e do combustível utilizados:
I - ônibus, microônibus, vans e demais veículos similares usados para o transporte público de passageiros;
II - caminhões e demais veículos similares usados para o transporte de cargas;
III - camionetas de uso misto, vans, peruas, utilitários, picapes e automóveis;
IV - motocicletas, motonetas e triciclos de uso urbano.
Parágrafo único. Ficam isentos da inspeção ambiental veicular os veículos equipados com motor dois tempos, veículos movidos apenas por gás metano, veículos híbrido (movido por motor a combustão interna e elétrico) veículos de coleção, veículos cujo ano de fabricação seja igual ou abaixo do ano de 1965, os veículos concebidos unicamente para aplicações  militares, agrícolas, de competição, tratores, máquinas de terraplenagem e pavimentação e outros de aplicação ou de concepção especial sem procedimentos específicos para obtenção de Licença para Uso da Configuração de Veículo ou Motor – LCVM.
Art. 2º A frota-alvo a ser inspecionada é composta pela totalidade da frota registrada no Município de São Paulo, observadas as exceções do parágrafo do artigo anterior e o artigo 14.
Art. 3º Os veículos cujo ano de fabricação é o mesmo do ano em exercício, ou o ano de fabricação é o ano anterior, e realizou seu primeiro licenciamento no ano em exercício, bem como os veículos transferidos de outro Município ou do Distrito Federal para o Município de São Paulo, apenas e tão somente no ano de efetivação da transferência estão dispensados da inspeção.
Art. 4º Para os veículos de todos os tipos, as inspeções referentes ao ano em exercício deverão ser realizadas com antecedência de até 90 (noventa) dias da data limite para o licenciamento, sendo que o agendamento para a inspeção será liberado 120 dias antes da data limite para o licenciamento.
Parágrafo único. Após a data limite de inspeção os proprietários de veículos poderão agendar a inspeção ambiental veicular a qualquer momento, observado o disposto o artigo 6º.
Art. 5º O prazo limite para a realização da inspeção ambiental veicular para cada ano em exercício será até 31 de janeiro do ano subseqüente.
§ 1º Os veículos que não realizaram a inspeção ambiental veicular ou não foram aprovados para um determinado ano exercício, de acordo com o prazo estipulado no “caput” deste artigo, serão bloqueados pelo Sistema de Gestão do Programa ...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Dia A Dia - Duetto giallo

No bairro da Lapa em São Paulo está surgindo um pequeno encontro, por enquanto dos amigos Eliseu com seu GTS 1977 e do Sylvio com seu GTE 1980. Aí um outro amigo traz outro, e outro e assim vai se formando. Mas desconfio que esses dois estão querendo formar um clube de feras amarelas, por enquanto o duetto giallo, que em italiano quer dizer dueto amarelo. 
 
 

MAIS UM - GTE for ever

Adoro jovens apaixonados pelo Puma. E a história que recebi do leitor Kevin mostra que mesmo tendo nascido dez anos depois do fechamento da Puma em São Paulo-SP e no mesmo ano que a Alfa Metais encerrou a produção de automóveis em Curitiba-PR, ele é um grande apaixonado pelo modelo.
"Olá Felipe! Como já sabe sou leitor de seu blog e agora venho lhe mostrar o meu puma ( que finalmente saiu da reforma) e contar um pouco de sua historia.Vou tentar ser rápido.
Desde o ano passado eu procurava por um Puma GTE até que depois de alguns meses, finalmente achei um com um preço quase razoável, bem acabadinho, para reformar.
Como dá para ver pelas imagens ele não estava dos melhores, mas a pior parte não dava para os olhos verem.
A base de uma suspensão estava rachada, a carroceria estava com rachaduras e com massa, a caixa de marchas estava quebrada e pior o motor na verdade era um 1300! (que foi substituto por um 1600).
Falando nele, este 1600 tem uma história curiosa, ele veio de um outro Puma que o dono fez um 'swap' e pôs um motor de Porsche 911 Turbo, pois 'queria ter um Porsche que não chamasse ladrão'. Segundo o 'mestre da reforma' (que fez o meu e esse Puma) ele empinava nas arrancadas, bem, se é verdade eu não sei, mas que é uma historia interessante é.
 
 A reforma foi feita pensando no máximo de originalidade, mas com meu gosto em primeiro lugar. Então ele esta longe de um placa preta, mas mesmo assim tem uma boa dose de originalidade e litros de beleza.
Depois de longos 4 meses o carro esta finalmente... quase pronto, quase porque ainda faltam cintos de segurança, som, e instrumentos novos, mas depois disso tudo o carro, que é nada mais que meu primeiro carro (faço 18 anos em 2012), estará perfeito!
 
 
 
 
 
 
No interior é onde aparece a maior falta de originalidade, mas, convenhamos, ficou bonito pra baralho.
 
Concluindo este carro foi a realização de um sonho, não só meu como também de meu pai, cuido e cuidarei muito bem dele e pretendo jamais vende-lo, posso ter muitos carros no futuro, mas meu primeiro carro eu terei para sempre, muito obrigado pai."
Oh Kevin! Só faltou nos dizer o ano da fera.

Dia A Dia

A publicação começou aqui com as fotos que a nossa amiga Helena clicou em Brasília-DF, quando em férias pela cidade. Por causa disso descobrimos que o GTS vermelho é do meu amigo Glauber:
"Felipe, olha a foto que eu tirei no mesmo dia em que a Helena viu meu carro na Asa Sul, aqui em Brasília... Muita coincidência! Aliás, aproveito o ensejo, desejo a você e a todos um ótimo 2012. Eu começo o ano feliz, porque consegui encontrar os bancos originais para meu GTS, reformei-os lá com o França! E hoje deixei o GTS no mesmo tapeceiro do JMM, para refazer todo interior nos moldes originais.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Fora de área - Bugatti Type 35 e réplicas

Em meados dos anos 70, depois do aparecimento da réplica do Alfa Romeo 33 fabricado pela L'Automobille de São Paulo (que depois foi vendida para L'Autocraft do Rio de Janeiro) em cima de plataforma VW a ar, a THUNDERBUGGY de São Paulo lançou a réplica do Bugatti Type 35, também sobre a plataforma VW, como nos kit car norte-americanos. Essa empresa situava-se na Avenida Santo Amaro, no bairro do Itaim-bibi, perto da Comercial MM, mas a fabricação era nas instalações da Glaspac no bairro de Santo Amaro. 
Como podia ser vendido por kit, cada um montava o carro a seu gosto, com mais ou menos fidelidade com o carro original.
Como nesse modelo abaixo, a barra entre os faróis é curva, personalizada pelo proprietário, assim como lanternas e faróis.
A maior diferença entre a réplica e o modelo original, além da largura, eram as grandes tomadas de ar na parte traseira para refrigeração do motor VW a ar.
Outros personalizavam com rodas raiadas de carros da década de 20, dando um toque nostálgico a réplica, mas assim mesmo diferente das rodas originais que eram de liga leve fundida.
Esse tipo de para-choque utilizado nessa réplica não era adotada por todos, mas quem queria mais proteção...
A moda de montar uma carroceria baseada no Bugatti T35 teve original nos Estados Unidos, que são mestres no assunto réplica. Lá também cada um fazia seu modelo personalizado.
As réplicas também chegaram na Europa, como o modelo abaixo, provavelmente na Suíça.


O modelo de Bugatti Type 35 foi criado para as pistas, onde conseguiu 1850 vitórias em 6 anos de produção, com muitas variações entre os modelos. Chegou a ser creditado 14 vitórias por semana. Nunca mais apareceu um vencedor como o Type 35, por isso o seu grande carisma.
"Este raríssimo modelo original Bugatti Type 35 em uma foto de época nos seus melhores dias de glória, notem as rodas fundidas em liga leve, uma característica deste modelo de competição. Dario Faria"
Abaixo um modelo original Bugatti Type 35 de 1925.
Colaboração Dario Faria. 
Veja no vídeo um original Bugatti Type 35 em movimento.

Mas as réplicas não vivem apenas de motor VW a ar, na Argentina um apaixonado pela marca fabrica uma réplica perfeita do modelo original Bugatti Type 35. Veja a reprodução do texto da matéria da revista Quatro Rodas:

O campeão vive

Na Argentina, entre réplicas de 175 000 dólares, empresa reproduz o Bugatti T35, o maior vencedor de corridas da história
Por Luiz Guerrero
Fotos Pur Sang Você teria uma réplica na garagem? Antes de torcer o nariz diante de tal hipótese, leia esta reportagem. Ela mostra uma empresa, a Pur Sang,
da cidade argentina de Paraná, ao norte de Buenos Aires, especializada em reproduzir carros de competição dos anos 20 e 30. De tão perfeitas, as peças aqui fabricadas pela equipe do ex-engenheiro agrônomo Jorge Anadón ganham destaque em salões internacionais, são elogiadas por revistas de prestígio e disputadas por colecionadores de todo o mundo. Da Pur Sang já saíram um incrível Cadillac Coupé 16 cilindros, um Mercedes-Benz 1926 com transmissão por corrente e um Alfa Romeo 158 com motor aeronáutico Aermacchi V12 de 25 litros.

A paixão de Anadón, no entanto, são os Bugatti, especialmente o Tipo 35, que começou a reproduzir há 12 anos a partir de um modelo original. A Pur Sang – francês para “puro-sangue”, como Ettore Bugatti referia-se a seus carros – já produziu cerca de 100 réplicas, um quarto da produção do modelo original. A Bugatti fabricou cerca de 400 variações do T35 entre 1924 e 1930, incluindo a versão urbana, com pára-lamas, faróis e lanternas. Atribuem-se ao modelo 1850 vitórias em competições, o maior número registrado por um carro.

Anadón nos recebe na sede da empresa, uma chácara chamada Villa Lola que foi sede do governo da província no começo do século passado. E só faz uma exigência: que não se pergunte sobre preço. Aceito a condição. Mas, apenas para dar uma noção do valor dessa escultura de alumínio, em junho de 2000 a revista americana Road & Track comparou o preço da réplica, que custa 175000 dólares, com o do Bugatti T35 original, 400000 dólares. E concluiu que os carros da Pur Sang são um excelente negócio. “Existem menos de 100 modelos T35 em todo o mundo. Desses, contam-se nos dedos de uma mão quais mantêm a originalidade de fábrica. Por isso, não considero meus carros de menor valor”, afirma Anadón. “São veículos originais feitos para não ficar na garagem.” É a mesma conclusão de colecionadores de todo o mundo, especialmente da Europa e dos Estados Unidos, que desembarcam nesta cidade de 240000 habitantes às margens do rio Paraná em busca dos Bugatti argentinos.

Os carros de Anadón são feitos a mão por um grupo de 20 profissionais. A maioria das peças é fabricada no galpão principal de Villa Lola, mas fundição, pneus, pistões e parte elétrica, entre outros, vêm de fornecedores locais. O ritmo de produção é lento, um T35 a cada 30 dias. E o resultado, um primor. Quem conheceu o carro original, como o ex-piloto Phil Hill, que avaliou a réplica para a Road & Track, diz que até o ruído do motor é idêntico – uma sinfonia em notas graves realçada pelo ritmo compassado das válvulas e pelo zunido do compressor.

Para despertar o oito cilindros em linha do T35 B (versão de 130 cavalos com compressor mecânico), é preciso bombear a gasolina com uma alavanca à direita do painel e então girar a chave – uma das raras concessões de Anadón foi trocar o sistema de magneto do carro original pela ignição eletrônica. A partida pode ser dada pela manivela ou, melhor, por um botão. Ruben Urspruns, único funcionário autorizado a dirigir os carros da Pur Sang, acompanha esta avaliação, acomodado à minha esquerda no estreito banco de couro. Eu também procuro a melhor acomodação: o delgado volante de quatro raios é enorme e os pés ficam espremidos entre o túnel do cardã e a parede de alumínio, quase sem espaço para acionar os pedais.

Como em um monoposto de competição, o espaço é racionado. A alavanca de câmbio fica do lado de fora da carroceria, posição mais cômoda para as mudanças, já que as guias de engate e o cabo de transmissão ocupam boa área na altura do cotovelo. Junto dela, outra alavanca maior aciona os freios das rodas traseiras – um engenhoso recurso para fazer a traseira escorregar sobre o eixo em curvas fechadas, como em carros de rali. São quatro marchas longas e sem sincronização com engrenagens de dentes retos: as mudanças exigem, mais que força, determinação. A direção é igualmente pesada, mas não há folgas e os movimentos são precisos: com pouco mais de meio curso, as rodas dianteiras atingem o batente. Os freios a tambor acionados por cabos de aço não pregam susto, desde que não se exija muito do conjunto.

A adaptação aos comandos e às reações do carro é rápida. É o que me dá confiança para pressionar o acelerador, na verdade uma roldana suspensa. Não há velocímetro, só um belo conjunto de conta-giros, relógio analógico e dois mostradores menores, do nível de combustível e da pressão do óleo, instalados no painel de alumínio escovado. Em terceira marcha, o ponteiro entra na escala das 4000 rpm alterando o ronco do motor. Devia estar a menos de 100 km/h, mas a sensação de velocidade era bem maior. A suspensão firme, com eixos rígidos apoiados por feixes de molas, as rodas de 19 polegadas expostas e o vento contribuem para reforçar a sensação. Em contrapartida, não há vibrações em excesso: o T35 B da Pur Sang é sólido. Foi feito para se transformar em um clássico.