sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Direito de resposta

Sobre a publicação "Matéria Sobre Puma no Yahoo", o direito de resposta do jornalista Fernando Calmon:
"Felipe,
Quanto aos seus comentários sobre o texto publicado por mim, seguem os meus argumentos, que peço publicar no site:
1) A Gurgel é mais importante que a Puma no cenário da indústria automobilística por vários motivos. Além de ter produzido e exportado bem mais, fabricou o próprio motor (o Enertron, de 800 cm³, embora baseado no do Fusca, com menos dois cilindros e refrigeração líquida), o que a Puma nunca fez. O MiniPuma, por exemplo, nunca saiu da intenção. Uma fábrica de carros esporte não deveria produzir caminhões. Isso é um desvio de finalidade que não existe no panorama mundial. Particularmente admiro mais a Puma, apesar de tudo, do que a Gurgel. O João Augusto Conrado do Amaral Gurgel tinha ideias às vezes confusas, para não dizer erradas. Admiração não pode se confundir com fatos, que o jornalista deve respeitar.
2) Faz parte das lendas urbanas a história de que o governo "obrigou" a VW a ceder peças para a Puma. Está ressaltado no texto que a VW não apoiou o projeto porque já tinha o Karmann-Ghia. Na realidade houve negociação, pois não há sentido o governo fazer esse papel. O fato é que não faltou à Puma, e outros pequenos produtores depois, o fornecimento de componentes. A VW tentou uma solução de mercado, ao criar o SP1/SP2, sem conseguir deslocar a Puma.
3) O GT Malzoni, em forma final e carroceria de chapa de aço, foi mesmo exibido no Salão do Automóvel de 1964. Mas como só entrou no pavilhão alguns dias depois da inauguração, não foi visto por todos os visitantes. Em 1965 ganharam as pistas; em 1966, as ruas.
4) Confirmei com o Miguel Crispim que o GT 1500 tinha mesmo a plataforma do Fusca encurtada. Aliás, a questão do chassi usado é irrelevante, já que a única diferença para o Karmann-Ghia é a largura do assoalho, na seção dianteira, ligeiramente maior.
5) O GTB S2 foi lançado em 1979, ano da segunda crise do petróleo, porque já estava planejado. Não procede o comentário no site.
6) Quanto aos caminhões reconheço que foram fabricados poucas unidades depois de 1993, mas não simultaneamente com os carros, o que também considero irrelevante e nem deveria fazer parte da história da Puma. Abraços, Fernando"

A treplica:
1) Estou em desacordo, no meu pensamento as duas empresas, Gurgel e Puma foram as mais importantes indústrias nacionais, as duas no mesmo nível, cada qual com a sua importância. Quanto a Puma produtora de carro esporte, que não deveria produzir caminhões, só para citar apenas um exemplo existente no panorama internacional, a Mercedes Benz, atual detentora do título mundial da F1 em motores e que faz magníficos carros esportes e moderníssimos caminhões, e dos melhores do mundo, sem falar de ônibus, carros de luxo, furgões, jipes e mini-carros.
2) Concordo com você Fernando, fui precipitado em contar histórias de bastidores, que podem ser lendas. Peço desculpas.
3) Concordo, peço desculpas. Fui em busca de material e informações:
"O carro (ainda de chapa) não ficou pronto a tempo para a estréia do Salão e por isso mesmo muita gente não o viu. Mas ele foi exposto e estou te anexando uma foto do carro naquele evento. Uma curiosidade: Esse carro foi dado de presente de casamento para a filha do Rino e hoje se encontra em Canoas (muito acabado). Carlos Zavataro" 4) Em nenhum momento se falou em chassi de Fusca em todas as reportagens de época, o máximo que mencionavam era plataforma VW 1500, que em 1968 e 1969, não existia Fusca 1500, somente Karmann Ghia e Kombi (esta última não utiliza plataforma e sim um misto). Assim foi na Autoesporte de 1968... ...Na Mecânica Popular de 1968. Na Autoesporte de 1969... ...E por fim, na Quatro Rodas de 1970. Se fosse tão irrelevante a especificação, a Puma não teria projetado em 1973, uma nova base de carroceria para o Puma Sul Africano, para utilização em plataforma de Fusca (porque lá eles só tinham Fuscas), ela simplesmente pegaria os primeiros moldes e forneceria a Bromer Motor Assemblies. Mas não foi bem isso que aconteceu, porque simplesmente não tinham esse molde. Veja na foto do comparativo abaixo, a significativa alteração da base, nas duas carrocerias de ponta cabeça, a sulafricana e brasileira.

E o molde do início da fabricação dos Puma VW, com abertura da base do chassi para KG.5) Não concordo. Claro que se um projeto está em andamento, fica difícil de frear seu lançamento, mas isso acontece com muitas indústrias. Antes de por tudo a perder, perde-se apenas o desenvolvimento e ferramental, como aconteceu com a própria Puma, com o Projeto P-016, abortado duas vezes e na segunda etapa, seu desenvolvimento estava em estágio avançado, com mais de dois anos de testes rodoviários. Mas devido a crise, da Puma e não brasileira, o projeto de um Puma com motor traseiro refrigerado à água foi desativado.
6) Os poucos caminhões fabricados a partir de 1993 até 1998 somaram a quantia de 2800 unidades e 80 micro-ônibus, segundo informações de Rubens Rossato, ex-diretor da Alfa Metais. A descontinuidade na fabricação dos carros esportes foi opção da nova administração, já que seu presidente havia falecido, concentrando forças apenas em um produto que vendia bem. Julgar administrações é dever para acionistas e interessados, eu não tenho capacidade de julgar, mas não acredito que devemos deixar de lado, uma conquista tão importante, porque os caminhões também trouxeram divisas e comércio para o país.
Se o assunto se estender, continuarei apoiando, porque só assim que chegamos a verdadeira história. E nesse aspecto, você Fernando já nos ajudou bastante e esperamos que continue nos ajudando, obrigado.

14 comentários:

Dr. JMM disse...

Acho que a colocação do nobre jornalista procede, em parte, entretanto, corroboro o entendimento do Nicoliello. A puma, guardadas as devidas proporções, alçou vôos muito mais altos que a Gurgel, que também é coisa nossa. Basta observar o carisma que o puma tem até hoje, que, os gurgel nem de longe sonham ter. Aliás, o puma até hoje é fabricado (Africa do Sul) isso só já é o bastante para notar que, apesar de fora de linha há decadas na terra pátria, ainda desperta emoções mundo afora.
Qto as outras ponderações do Nicoliello (mercedesXpuma), uma coisa não tem nada a ver com a outra, já vi fábricas de esportivos fazer até canetas (mitsubishi e porsche), isso é mercado globalizado, que a puma, viu a décadas e que somente agora algumas fábricas estão vendo.
No mais, apesar de respeitar a gurgel, sou puma desde o meu nascimento.
Axé.
JM

Leo Gaúcho disse...

Concordo em parte com vc JM.A Gurgel com certeza tem seus fãs e adeptos, apaioxonados pela marca como nós temos pelo Puma.Vou mais além, acho que ambas podem ser comparadas no sentido mercadologico, administrativo e claro, na herança da historia da industria automobilistica, mas sou corajoso a afirmar que a ambição e o proposito das duas eram diferente:Gurgel visava o prático, o economico, foi o precursos dos carros de hoje de baixa cilindradas.A Puma, ao contrário, tinha seu mercado dirigido, que era o esportivo, a ambição para acelerar um carro novo, fora dos padrões normais de carros nacionais, buscando o intuito de "fincar" aqui nas terras tupiniquins o que já existia lá fora(Jaguar, Miura, Ferrari....Qto a crise do petróleo, me desculpem, mas não acredito que a Puma veio a pensar nisso qdo lançou o GTB que era o carro de caracteristicas próprias, ou seja um motorzão sobre rodas, ou vcs acham que quem queria acelerar um bruto destes estava preocupado com o consumo?Ou se ia faltar?As bases das carrocerias são gritantes.Concordo com o felipe, pois fora o que fora citado, ainda tem o formato do tunel, que no Brasilia é "quadrado".Se eu colocar um chassis destes no meu GT os caras vão pirar!!!Portanto, é plataforma.
Reforçando pedido anteriores, tens alguma foto do P-016?
Abraço a todos!

Dr. JMM disse...

É isso mesmo Léo. Mas dá outra lida, ou uma relida no que escrevi. Não disse que gurgel não tem adepto e carisma, disse que, se tiver não chega perto do que tem o puma, confere? todo carro tem seguidor, mesmo que um, e para esse "um" terá carisma. Vc sabe da quantidade de seguidores de um puma em referência aos seguidores, por exemplo, do hoffstetter (acho que é assim que se escreve), sacou?
Ou seria a mesma quantidade de clubes, confrarias, seguidores, fabricantes de peças e etc? vc captou, só quis discordar pra ser diferente né véio?

Angelo disse...

Não acho que um gurgel x-12 por exemplo seja muito mais que um bugre disfarçado de jeep
e p/ ter carisma o carro tem que ser bonito e ter sido desejado por muitos quando era financeiramente fora de alcance como o puma já foi um dia

saruê disse...

ou seja, o jornalista está, na maioria de suas afirmaçoes, correto.
o ruim de sites, blogs e outros meios assim, é que a paixao supera a razao...
nem puma, nem gurgel, principalmente o primeiro, foram carros de verdade...
tanto é que deu nisso... ambos quebraram.
ja na epoca o puma era vendido por um preço muito acima da realidade do carro...um fusca melhorado...
vamos trabalhar ao inves de perder tempo com estes assuntos...
pronto. falei!

Anônimo disse...

...e uma GM tb pode quebrar, o q ñ se pode quebrar é um sonho:

- "...o 'Bob Sharp' tb havia 'sonhado' em matéria na revista '4R' ...agora o Calmon tb revela o seu sonho(*) ...nós aqui no blog só mostramos q isso tudo é possível e dá trabalho!"

(*)http://www2.uol.com.br/interpressmotor/opiniao/item30226.shl

(Ronaldo)

Anônimo disse...

Amigos,
Em relação ao item em debate número 2 (a VW sendo obrigada a ceder chassis e motores para a Puma), gostaria de deixar o relato do que vi e ouvi. Estive no Blue Cloud de 2008, o último com a presença de Jorge Lettry, e em sua palestra ele afirmou que a VW realmente não queria ceder a mecânica e o governo interveio sim, com a justificativa de que era imperioso investir no desenvolvimento de um produto nacional, para alcançarmos a almejada (na época dos governos nacionalistas) nossa independência tecnológica. Não houve uma obrigatoriedade imperiosa, mas um acordo. Palavras de Jorge Lettry (se alguém que esteve lá se lembrar de algo mais...)
Creio que aos olhos de hoje pareça estranho, mas sabemos que os governos interferem bem mais do que imaginamos.
Abraços,
Marcelo Couto

Dr. JMM disse...

Com certeza o governo foi "persuasivo", a volks não seria boazinha em ceder o mais importante que uma fábrica possui (chassi e mecânica), para outra fabricar um concorrente direto, assim "de grátis", ou a preços módicos. Teve dedo externo SIM.
Quanto a quebrar, se quebraram pq "eram ruins", pq a GM entrou em bancarrota esse ano? e tantas outras? nada a ver. Crise é crise.

Anônimo disse...

...cito o 'Ari Rocha' q comentou sobre o q presenciou:

- "...uma discussão forte entre os presidentes da Puma e da VW s/o fornecimento da mecânica; na sequência o Robertão teria usado argumentos de peso!"

(Ronaldo)

trovao disse...

Nossa, que briga de cachorro grande! Meu comentário: nunca antes tinha ouvido falar de puma em chassi de fusca, não sou profundo conhecedor, mas isso até eu sei, o chassi é de Karmann Ghia. Outra coisa: "irrelevante"?, aqui você cometeu um erro gravíssimo Fernando, por dois motivos: 1)Carros antigos são patrimonios culturais, com relação a suas peças, nada é irrelevante. 2)Me desculpe Calmom, mas você não deve entender nada de mecânica, como pode dizer que o modelo do chassi, simplesmente a estrutura que dá toda a sustentação ao veículo, é "irrelevante". Como jornalista vc deveria estar mais atento a importância dos detalhes de suas reportagens. No mais, super instrutivo o debate! Parabéns!

Cassiano disse...

"Totalmente excelente" (Paulo Bonfá) este debate. Mas se tem um ponto do qual Gurgel e Puma convergiram foi na construção de protótipos alternativos. Foi o caso do Gurgel Itaipu e do Mini Puma, associação com a japonesa Dahatsu.

Abs a todos, Cassiano

Hélcio disse...

Concordo bastante com o Felipe, com o Dr. JMM e com o Léo. Acho que a Gurgel foi uma grande empresa, tem excelentes carros, sou fã deles assim como sou da puma. Mas ambas tem diferenças e, como nacional, acho que a puma realmente "alçou vôos muito mais altos que a gurgel" conforme Dr. JMM disse.

Quanto ao argumento de que puma...gurgel...não eram carros, acho que o amigo forçou hein! Qual é o conceito de carro?

Sobre o argumento que já na época a puma vendia seus carros acima da sua realidade, há que se considerar 2 coisas:

1-Era caro, mas vendia pelo preço que pediam, tinha fila de espera e ainda era exportadi.

2-E se era caro e vendia, é pq não era fusca e, ainda mais, melhorado. Acho que forçou mais ainda, hein! Fusca melhorado?!?! Algumas diferenças, então:

1-Curve uma curva daquelas bravas a 120 km/h com um fusca e curve na mesma velocidade com um puma. Após curvar com o primeiro, se sobreviver, curve com o segundo e nos conte o que viu de diferença entre os dois.

2-Carroceria? Acho que dá pra notar a diferença. Né?

3-Então, porshe antigo tb pode ser considerado um fusca, correto? Foi apenas uma evolução do fusca, assim como a puma procurou adaptar algumas coisas tb.

A concepção é de um esportivo. Á época foi superior a outros. Hoje, pode não ser, mas nem por isso deixa de ser esportivo.

abraços!

Anônimo disse...

Caro Saruê: A inveja é mesmo uma m... Quer dizer que não considera o Puma e o Gurgéis carros, mas sempre dá uma passadinha aqui no site do Felipe prá meter o bedelho?! Como costumam dizer os pescadores daqui de Florianópolis, "vai pru matu vê si urubu ti pinica"! Saudações a todos! Paulo

Leo Gaúcho disse...

Piazada, vamos com calma, o Saruê não deve ter nem um nem outro, por isso o cara não deve nem saber o que tá falando!!!!O importante é que nós, demais temos, ou um, ou outro e portanto sabemos o que estamos falando!