terça-feira, 29 de setembro de 2009

Puma Espartano e Puma Rallye

A série denominada “espartana” que significa mais simples, sem luxo ou conforto surgiu para atender os pilotos de corridas. Desde os GT Malzoni existiam os espartanos, próprio para as pistas por terem equipamentos necessários para corridas e não ter coisas desnecessárias, acarretando peso. Além disso, a confecção da carroceria era mais fina, proporcionando menor peso ainda. No lançamento do Puma GT VW em 1968, a série continuou. Algumas pessoas confundem a carroceria espartana do 1968 com o espartano de corrida, porque no início da produção, o material utilizado para confecção das carrocerias era de alta qualidade, exigindo menos material, tornando a espessura da carroceria mais fina que nos modelos posteriores. Mas isso não quer dizer que era fabricado com a preocupação de aliviar peso. O espartano poderia vir na configuração mecânica escolhida por cada piloto, porque dependia da categoria em que iriam participar. Ao longo do tempo, alguns problemas surgiram no Puma VW, como o acesso ao compartimento do motor, muito limitado, dificultando o serviço dos mecânicos, ocasionando perda de tempo nos boxes. Em 1970, alguns pilotos começaram a reclamar a Puma, que prontamente solucionou o problema, inclinando quase verticalmente o vigia e aumentando o capô traseiro, podendo assim, ter acesso até na parte traseira da caixa de ar (ventoinha) para eventual limpeza. Os carburadores ficaram bem amostra, livre para mexer, regular, retirar, coisa bem difícil na configuração anterior. Passou a conter uma barra metálica protetora, que ia de um lado ao outro do carro passando pelo teto, integrada na fibra, além de outras duas barras nas laterais. Tinha a opção do capô dianteiro mais alto, para utilização de tanque de 80 litros para corridas de longa duração. Os bancos eram os conchas (fiberglass), o volante Fittipaldi e instrumentos adicionais de temperatura, pressão e amperímetro. Com sua aparência singular ficou bem nítida a diferença em relação aos Puma de rua, ficando mais conhecido como Puma Espartano e assim que vamos continuar chamando. O primeiro Puma Espartano capô grande foi o #48 da equipe MM, com o piloto Angi Munhoz... ...E que depois passou a ser do José dos Santos Martins Jr., o “Josamar”.
Outros Espartanos vieram, mas nem todos eram Espartanos de nascimento, como o caso do Puma # 66 de Waldemyr Costa, que foi transformado na fábrica para capô grande.
O detalhe do interior, com bancos conchas revestidos e forração das portas, coisa que o Espartano não vinha.
O detalhe do reservatório de óleo na traseira do Puma.
Na dianteira o radiador de óleo.
O Espartano #35 do Paulo Gomes e Sérgio Louzada não tinha as tomadas de ar nas portas como no #48, porque estas foram feitas pela MM em seu carro.
A produção deste modelo não foi registrada, estima-se no máximo 10 veículos, sendo que apenas estes dois últimos ainda sobrevivem, pelo que se tem notícia. O #48 do Josamar, ele desmontou a carroceria vendendo a uma pessoa que o colocou em cima de um chassi de Puma de rua, com motor preparado. Essa pessoa acabou se acidentando, falecendo e dando perda total no Espartano. Mais dois Espartanos se acidentaram em pistas de corrida, sendo totalmente destruídos. Existia ou existe um em Brasília, que estava pendurado na parede de uma... Oficina ou coleção? Não sei ao certo, mas não se tem notícias dele.
Depois com a preocupação da fábrica na produção, onde a fila de espera já beirava os 12 meses, além do Puma não ter mais onde correr, porque “acabaram” com a categoria dele, não havia justificativa para continuar produzindo Puma de corrida.
Não se tem confirmação se a Puma vendeu algum desses Espartanos para rua, mas não era impossível licenciar um veículo de competição, atendendo a regulamentação dos equipamentos de segurança e obrigatório, exigidos pelos departamento de trânsito era possível sim. Ainda um sobrevivente firme e forte é o Espartano do Halley de SP, que exibe toda sua beleza.
Dizem que existe um Espartano no Rio de Janeiro de paradeiro desconhecido. Ainda no Rio de Janeiro, um sobrevivente, dito por Espartano, mas comprovadamente não sendo de capô grande, é o do Ribas. Se for um Puma 1970, pode ser um Espartano antes do começo das modificações.
Na foto abaixo, parte superior vemos o vigia traseiro normal e capô traseiro com tomada de ar, como nos Puma mais antigos de corrida.
Ainda sobre Espartano tem matéria no Blog do Saloma.
Em 1971, a Puma se destacou em corridas de Ralli, com Jan Balder. Em virtude do regulamento para homologação a Puma produziu entre 1972 a 1973, alguns Puma denominados Rallye. Ele não era Espartano na concepção do capô traseiro, nem tinha a fibra fina na carroceria, mas tinha muito do seu irmão das pistas de asfalto. Motor 1800 cc, com Carter seco, radiador de óleo, além de preparação no motor e cambio, era identificado pelas tomadas de ar na saia dianteira. Por dentro era um Puma normal, com o mesmo acabamento, contando com instrumentos extras e volante Fittipaldi.
Esse modelo também não teve registros específicos, estima-se em 6 unidades produzidas, sendo os dois abaixo, do James (roxo) e Paulo Lomba (laranja) os únicos sobreviventes que se tem notícia.

9 comentários:

Dr. JMM disse...

Outra raridade em extinção.
Pena, pq são os puma mais misteriosos que existem, eu diria tanto quanto o GT4R.

Eric disse...

Muito boa a reportagem Felipe! Agora, me tira uma duvida, pra que as entradas de ar dianteiras no Puma Rally? eram para os freios, radiador de óleo ou motor?

Um abração!

Cesar Costa disse...

Mas que confusão, hein! Pelo que entendi o que diferenciava os primeiros Espartanos dos Rallies na parte da carroceria era a fibra mais fina? Eu jurava que todos os Espartanos tinham tampa do motor maior (seria do Spyder) e tampa da mala alta. Quanto a entrada de ar lateral, me lembro de alguns Pumas "normais" tinham estas entradas de ar modificadas pelos donos. Quer um exemplo: na década de 70 morava no Leblon e estudava na UFF (Universidade Federal Fluminense), em Niterói. Por várias vezes, ao invés de pegar a Ponte, deixava meu carro na Praça XV, onde sempre estacionava meu TL próximo a um Puma verde-kawasaki, que, além das entradas de ar laterais do Espartano, tinha um spoiler dianteiro, que envolvia toda a frente (parecido com o Porsche) e um pequeno aerofólio sobre a tampa do motor (não era o aerofólio da Spyder, mas um, muito bem feito de alumínio, similar aos usados na F1 na época).

Hélcio disse...

Felipe, há uns 2 anos atrás foi leiloado pelo detran uma sucata de puma igualzinha a esta foto que aparece o espartano do Ribas.
Tive a oportunidade de ir verificar o carro, possuia exatamente essa entrada de ar lateral, o vidro traseiro era menor que os outros e ela tinha plaqueta idenficando-a como GTE 1971, produto 269, inclusive nos documentos baixados pelo detran ela era 1971. Quem estava vendendo era um antigomobilista daqui do ES, comprou no leilão.
Será que tratava-se de um espartano?
Ele estava vendendo na época, por isso fui olhar, só que estava meio salgado o preço.
abraços!

Anônimo disse...

Este 'Puma laranja' tem inspiração na:

- "...lanterna dianteira da 'Ferrari Dino 246 GT'!"

(Ronaldo)

Felipe Nicoliello disse...

JM, acredito que até mais, pq o 4R conhecemos bem a história e as duas únicas coisas enigmáticas dele são: o número de veículos produzidos, que está quase desvendado e as lanternas traseiras, que o dia da revelação, algumas pessoas não vão gostar.

Eric, eram entradas de ar para o radiador de óleo, que ficava no compartimento do estepe.

Cesar, As mudança da carroceria do Espartano ocorreu em 1971, aumentando o capô traseiro. As tomadas de ar no lugar do tubarão, era padrão nos Puma de pista, seja espartano ou não, aí o pessoal de rua copiava porque dava status ao carro, parecendo que tinha motor preparado, ou as vezes tinha mesmo. As entradas de ar inferiores, atrás da porta do Puma #48 eram exclusivas daquele carro. Os Puma Rallye eram carros normais com mais mudanças mecânicas do que estética.

Hélcio, pode até ser que fosse um Espartano, mas como falei para o Cesar, era muito comum vermos Puma com as tomadas de ar maiores no lugar do tubarão, por isso, viámos cada uma de um jeito, orelhas mais abertas, outras mais fechadas, coisa artesanal de cada oficina que promovia a modificação. Alguns só sobrepunham as "orelhas" saltadas sobre o tubarão original, servindo apenas como estética e nada funcional. Agora se esse Puma tinha capô grande, certamente era um espartano, porque essa modificação não faziam, porque além de ser onerosa, precisa de uma técnica muito apurada sobre construção de carrocerias. Não é simplesmente aumentar o capô, há necessidade de mexer nas colunas, travessas, abrigo do vigia e outros pequenos detalhes.

Felipe Nicoliello disse...

Ronaldo, exatamente e foram achar uma lanterna aqui no Brasil, na grade do Corcel, quase idêntica ao do Ferrari.

ss.paulojr disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
bruno arruda disse...

ola amigo felipe eu recentemente comprei esse suposto espartano que era do ribas esse que aparece nas fotos inclusive confirmado por membros do puma clube do rio que o conheciam eu estou em faze de levantamento de informações sobre o carro e pumas já que a ideia da compra era comprar uma puma para minha esposa que adora esses carros nunca tinha ouvido falar de espartana ate então ... e acabei com esse carro sem conhecer a história dele no que puderem me ajudar para elucidar a verdade sobre ale eu agradeço aos senhores e ao felipe ... meus contatos
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