sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Mercado de veículos antigos

Todo mundo que tem um automóvel sempre está interessado em saber seu real valor, seja novo ou usado, principalmente os antigos. E é nesse segmento que vamos falar, automóveis antigos e seu mercado.
Claro que nem todos apreciadores de antigos estão preocupados se vai valorizar ou não, mas uma parcela bem grande se preocupa e muito. Afinal é um dinheiro investido sem muitas garantias, porque os ventos sopram para diversas direções. Se a pessoa tem seu dinheiro contado, esta situação fica mais agravante: - Será bom comprar um antigo?
Um antigo sempre será um bom negocio, desde que se tenha certo cuidado, como em todos os negócios. Ter o conhecimento da área ou do veículo que se proponha a adquirir é o "carro chefe". Aprender primeiro para depois se aventurar, minimiza os riscos, porque deles, ninguém está a salvo. O grande exemplo é a situação atual, onde os negócios de capitais em crise no mundo, tendem a interferir em todos os outros, principalmente naquilo que é supérfluo, sendo o primeiro dos bens a ser disponibilizado. Nisso, a oferta aumenta em demasia e os preços caem a todo vapor. Qual o antigomobilista mais experiente que poderia prever esta situação? Nenhum. Mas em geral o mercado de antigos é bem constante, onde existem variações de alucinados e desinformados, gerando prejuízos ou lucros imediatos.
No nosso caso, Puma, como qualquer outro antigo, atualmente o mercado está em baixa, com muitas ofertas, até de veículos que acreditávamos nunca mais estarem a venda, ocasionando assim, a queda nos preços. Um momento muito bom para comprar, quando se tem reservas que não haverá necessidade de usar tão cedo, porque à volta do crescimento dos preços deve demorar um pouco, se tudo correr normalmente. Vender, só em último caso, ou seja, a necessidade imprescindível de dinheiro ou o bem está gerando despesa desnecessária.
Na compra de um modelo, em primeiro lugar se deve gostar do veículo, comprar um bem sem gostar ou gostar pouco é coisa para negociante, que leva tempo para aprender o ofício de comprar e vender, além de ter que entender de antigo.
Depois da escolha definida, o tamanho do bolso é essencial, para saber as opções de escolha. Optar por um modelo mais raro é sempre melhor, mas não é a escolha correta, se o modelo raro vai lhe dar mais trabalho que satisfação ou correrá mais riscos que o necessário. Friso sempre, que as raridades valem mais, mas também são muito mais difíceis, por isso nunca comece por uma raridade, o risco de fazer bobagem ou ser enganado é grande. Um bom começo é um modelo de grande aceitação e com muitas informações.
O estado do veículo é outro fator primordial, não se devem comprar carros destruídos se for sua primeira vez, de preferência a carros originais em relativo bom estado e que tenha o maior número de peças originais restauráveis. Se não gostar de restaurações, aí é claro que deve procurar carros restaurados por profissionais da marca ou de antigos, porque nem sempre uma restauração é boa, mesmo que tenha sido feita por profissional.
Quando compramos o antigo é para curtir e ao mesmo tempo estamos investindo, mas sabendo sempre que antigo é sinônimo de originalidade, porque aquilo que é original, representa uma fase, uma época e ninguém pode questionar se ele é feio ou bonito, bom ou ruim, porque era o que tinha naquele tempo.
Portanto, sempre consulte amigos mais experientes ou verdadeiros profissionais para não transformar seu sonho e prazer em uma situação desagradável.

9 comentários:

Luiz Paulo disse...

A muito tempo estive procurando pumas, encontrei um desesperado com uma joia na mão, nunca restaurada (só banho de tinta), manual, toda tapeçaria original, e com o dono precisando de dinheiro, mas mesmo assim com muita coisa pra fazer....vamos aos poucos

smarca disse...

Concordo e discordo parcialmente.

Concordo com o foco do post, o carro em si, os objetivos de cada um, as capacidades financeiras envolvidas na aquisição, restauração e manutenção de um antigo.

Discordo dos preços estarem em baixa, ainda que mais baixos do que a pouco tempo atrás.

Resgatando um pouco o passado, diria que vivemos um período de euforia nos mercados de renda variável após um ciclo de baixa anterior, nos atendo neste curto período de menos de 1 década (9 anos) apenas para exemplificar.

O ciclo da baixa se iniciou com o estouro das empresas ponto.com em Wall Street em Março/2000 e terminou no segundo semestre de 2002, mais precisamente em Out.

Depois disto até Maio/2008 no mercado de renda variável nacional (até Outubro/2007 nos mercados norte-americanos, portanto pouco mais de 1 semestre antes, curioso né?) vivemos um período de expansão econômico-financeira, mais financeira que a economia real propriamente dita, por conta da alavancagem inserida no contexto. Alavancagem ainda não totalmente purgada, diga-se de passagem, mas não vem ao caso aqui.

Ocorre que tudo neste período, tal qual o valor das empresas em bosa de valores, assumiu níveis de preços nunca antes visto, parte valorização real e parte pela própria injeção de liquidez nos mercados e facilidades de financiamento criadas ao longo dos anos.

Como tenho dito: haja tinta verde! Para imprimir tantos US$ como estão imprimindo ... sem lastro algum, apenas os Títulos do Tesouro Norte-Americano, enquanto são aceitos mundo afora, hoje nem tanto quanto antes. O risco é um belo dia um leilão de rolagem falhar ... mas vamos aos carros, o objeto deste comentário.

Tudo significa tudo. Quadros, imóveis, etc. e carros antigos.

Fiz uma pesquisa histórica, estatisticamente não validada, mas que serve como argumento, sobre preços de Pumas de 10 anos atrás versus preços atuais, descontada a inflação do período ou com os valores indexados a alguma referência, seja US$, Euro, Ouro e algumas outras que também não vem ao caso.

O fato é que os Pumas estão caros, como tudo aliás. Nada indica que baixarão significativamente de preço, provavelmente não até porque a cada ano não fabricado se tornam cada vez mais antigos.

Então, em termos de investimento, provavelmente o retorno sobre o capital, mesmo nos níveis atuais de preço, um pouco mais baixos do que no ápice da euforia antes deste crash mais recente, já está garantido a quem vende e não a quem compra. Ou seja, minha opinião é que manterão seus preços reais estabilizados por um bom período, salvo um ou outro vendedor necessitando fazer dinheiro (fazer liquidez) momentaneamente.

Blá, blá, blá ... mas o que vale mesmo é ter um Puminha rodando!

Acho que este é o foco. A diversão que o carrinho proporciona e, acima de tudo, as amizades que surgem através dele.

Se fosse pensar em investimento, jamais teria comprado meu Puma, menos ainda gasto o que gastei para deixa-lo do meu gosto e quase perfeito.

Em termos de investimento o que vale mesmo é a liquidez momentanea e, nisso os carros antigos não são muito bons, justamente por serem, como bem disse, supérfluos.

Anônimo disse...

...constato grande evolução nos últimos anos:

- "...com grande destaque para jovens colecionadores que se multiplicam e reforçam o mercado de clássicos!"

(Ronaldo)

Luiz Paulo disse...

Felipe, olhando uns posts antigos aqui do blog, especificamente sobre o encontro de 4/8, lhe disse q tinha foto de quase todos os carros e video do desfile e vi somente agora que voce tinha pedido pra eu lhe escrever, ainda te interessa as fotos?

MSalinas disse...

Não perder dinheiro sempre é muito importante, sim.
E, Felipe, suas dicas para quem está iniciando - como eu - são preciosíssimas.
E neste post você brilhantemente resumiu para quem quer começar, o como fazê-lo.
Mas concordo com o Sandro quanto ao sentimento que vale para nós, que não somos negociantes de antigos, que são "o prazer de ter um Puminha rodando e as amizades que surgem dele".
Isto, de fato, vale mais que o valor do Puma.
Pelo menos até que o dinheiro faça falta... toc, toc, toc!

GP Oficina Mecânica disse...

Ótimo texto... muito prestativo para o pessoal que esta pensando em comprar um carro velinho...

Sempre vou apoiar qualquer um a restaurar um carro antigo, mas o cara deve etender e muito bem que é bem caro, muitas vezes mais caro que um carro zero e que ele precisa gostar muito do carro, caso contrário ele acaba em um pesadelo sem fim...

Carlos Eduardo Szépkúthy

Felipe Nicoliello disse...

Luiz Paulo parabéns, é esse o veículo ideal, pode custar caro, mas o resultando é bom.

Sandro,
Se pensarmos como um bom economista que sei que vc é, carro tem que ser riscado da lista de investimentos, pq como vc mesmo disse, investimentos bons são de rápida liquidez. Obrigado pela aula. Não disse que os preços dos Puma caíram, mas os antigos de um modo geral sofreram queda acentuada. Talvez o Puma não tenha caído o preço, mas não subiu como vinha acontecendo nos últimos doze meses. É uma variável de modelo prá modelo.

Ronaldo,
Realmente, o número cresceu muito, principalmente entre jovens, mas acredito que seja tendência mundial.

Marcelo,
Falei como um antigomobilista sem sentimentos, pq qdo colocamos o sentimento junto, tudo vale a pena.

Carlos Eduardo,
Minha intenção é preparar o iniciante para que isso não aconteça, por estar bem preparado, e no caminho certo. Mesmo assim, o dinheiro gasto é como vc falou: bem caro!

Fernando Portilho disse...

Felipe,
Além do melhor Blog, com você, temos a melhor orientação de quem realmente conhece o assunto.
Mesmo as restaurações de Fuscas e Pumas, levando-se em conta a simplicidade da macanica, não é barato quando se espera um bom resultado.
Importante alertar os iniciantes para que as restaurações não fiquem pelo meio do caminho.
Em tempo: Existe algum carro mais "Fotogênico" do que este que abre este artigo?????????????????
Abraço, Fernando.

Felipe Nicoliello disse...

Sim Fernando, existe!
Digite no Google as palavras Puma GTE e pesquise as imagens, o Puma que aparece mais vezes é o GGT 1974. Nem eu sabia disso, tem foto dele pelo mundo.
Agora, vc gostou porque tem um Puma 1969, e eu, mesmo sem ter um, tb gosto muito, por isso a escolha dele para a foto.