sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Puma GT 1968

Quando nasceu, o Puma GT (VW) surpreendeu muita gente, com linhas atraentes e de uma beleza incontestável.
Suas suaves linhas transmitiam fluidez aos olhos do admirador, e ao mesmo tempo mexiam com o coração de um apaixonado por velocidade.
A difícil tarefa de substituir o belo Puma GT (DKW) foi atingida com sucesso, a maior dificuldade foi nossa atualmente, o de preservar um autêntico exemplar do primeiro Puma VW. Hoje em dia não sobraram muitos e os poucos foram alterados ou estão em estado deplorável.
Mas há alguns dias, recebi a feliz notícia do "surgimento" de um exemplar quase perfeito. Quase porque falta a restauração, mas ele já mostra singularidade que pouca gente viu na vida.
Antes de falar do magnífico Puma, primeiro quero agradecer as fotos do meu grande amigo Hélio Mendonça, o Luby do Rio de Janeiro e ao seu amigo César da Ilha, o feliz proprietário da raridade. Digo raridade, porque os Puma DKW e até os Malzoni GT, temos alguns exemplares sobrevivendo e em muito bom estado, já com o GT VW 1968, não podemos dizer o mesmo. Até terça-feira passada eu não conhecia nenhum GT 1968 integro em suas particularidades, como por exemplo, o singular painel. Muitos carros foram alterados e quando restaurados, acabam exibindo o painel do Puma GT 1969.
Vocês podem ver que as entradas de ar foram alteradas e não existem mais as bolhas dos faróis, lanternas do C-1416, volante original e as rodas de Kombi (5"x14") com calotas, coisas muito simples de reverter à originalidade.
Mas quando falamos no painel... a coisa muda, é lindo, perfeitamente original. Lembram na postagem "Painel Puma" que publiquei dias atrás, lá está uma pequena e única foto de um painel de Puma 1968, pior, em preto e branco. Agora sim dá para detalhar todos os itens da riqueza desse painel. A começar pelo revestimento, utilizando uma chapa metálica, cromada e frisada, que vai de uma ponta à outra do painel, idêntica a chapa utilizada no Malzoni GT, que herdou esse estilo do Fissore, mas cada qual com sua chapa de tamanhos diferentes. Essa chapa era com frisos estampados e paralelos, a cada 0,5 cm aproximadamente, dando a impressão de ser inox. No espaço reservado aos instrumentos, um aplique de madeira de lei jacarandá, dando sofisticação ao modelo. Os instrumentos existentes nesse Puma, não são originais do 68 e sim do 69, porque os 68 saíam com instrumentos do Karmann-Ghia. Posteriormente em 1969, a Puma desenvolveu instrumentos próprios. À esquerda dos instrumentos vemos um peça circular parecendo uma luz de cortesia de ônibus, na realidade essa peça era a saída do ar para o interior do veículo, sendo controlada pelo botão de puxar/empurrar ao lado da peça, como nos Puma mais novos. Existia uma saída de ar de cada lado e o motorista podia direcionar o ar girando a bola. O botão vermelho que vemos abaixo do painel é do pisca-alerta, que deve ter sido colocado posteriormente por obrigação da lei que entrou em vigor a partir de 1970.
O rádio era nessa mesma posição, pois o carro não tinha console, mas este não vinha de fábrica, no lugar vinha uma tampinha com emblema Puma, assunto para outro dia.
O teto já era o famoso dividido com friso no centro, o Puma do César da Ilha ainda preserva o mesmo teto e o friso, escondido na foto, mas está lá. O vinil do teto era branco e furadinho, como nos Fuscas, só mudou com a chegada do GTE em 1970, passou a ser preto liso (Corcel).
O capô dianteiro abria no sentido normal, diferentes da maioria dos Puma, um detalhe que só chegou no GTE.
Reparem que nos GT o acesso à parte elétrica dos instrumentos era pelo porta-malas e não por baixo do painel. Um detalhe que a foto não mostra, mas onde fica o estepe, a caixa da frente da suspensão era idêntica ao Fusca, com aquele degrau, onde no Fusca vai o reservatório de óleo do freio e até com aquela tampa redonda parafusada para mexer na caixa de direção. Não tinha acesso ao faróis pelo porta-malas, como em qualquer Puma, as laterais eram fechadas ( detalhe que perdurou até 1971).
Agora podemos dizer que existe realmente um Puma GT 1968 e torço muito pelo César, para que ele represente muito bem a categoria GT 1968.

19 comentários:

LEONARDO disse...

Felipe, agora estou de queixo caído!!!Aquelas "saliencias" no canto do painel são entradas de ar?São originais mesmo?Mas ela mantinha mesmo assim as entradas sob o painel(aquela com a capa da Karmann)?Putz, por que não mantiveram na 69 tbém né!!!Abraço.Leo Gaúcho

LEONARDO disse...

Parabéns ao Cézar!Faremos tudo o que for possível para resgatar esta, quem bem como disse o Felipe, acho que a única nestas condições!Leo Gaúcho!!!

Luby disse...

Amigo Felipe, fico feliz em poder contribuir um pouco com este excelente trabalho feito por vc de recuperação da menoria das nossas Pumas, pois por incrivel que parece são uns carros relativamente recentes mas que foram se perdendo e sofrendo muitas modificações ao longo deste anos e como resultado para fazer uma reastauração criteriosa fica dificil pois falta literaturas, faltava, pois o amigo tem colocado no blog um material excelente para quem quer fazer uma restauração.
abs
Helio

LEONARDO disse...

"Acompanho relator!!!"É isso aí Hélio, certíssimo.Leo Gaúcho.

Luby disse...

Amigos podemos ficar tranquilos pois pelo que conheço o Cesar ele vai colocar o carro o mais original possivel...
abs

Felipe Nicoliello disse...

Moçada, com a colaboração de todos, pequena ou grande, vamos construir a história Puma e preservar nossos e muitos outros felinos no Brasil e no mundo.

Leo Gaúcho disse...

Felipe,
Verificando melhor aquela foto do Puma do César, é a "nova" 68,, a foto do forro do teto rasgado, parece que tem um enchimento interno ou é impresssão minha?Parece palha.. sisal... sei lá.Mas tinha alguma coisa dentro?

Felipe Nicoliello disse...

Sim Leo,
Antigamente se usava uma forração de palha para absorção térmica e acústica. A espuma não era tão usada, por não resolverem todos os problemas como as espumas de hoje. E as palhas ficaram muito caras, apesar de serem ecologicamente mais corretas.

Pedro disse...

Felipe...sabes se algum restaurador já tentou reproduzir o painel de alumínio?

Felipe Nicoliello disse...

Pedro,
Não conheço ninguém que fez isso, mas eu tenho o caminho das pedras para fazer, assim que eu terminar os frisos do painel dos 69, vou fazer um painel desse. Não era de alumínio, era de chapa com cromo fosco ou metodo parecido, estampados os frisos horizontais.

lúcio pereira disse...

Boa noite, Felipe, entrei por acaso neste site de discussão e vi as considerações sobre o Puma 68, eu já conversei contigo sobre o Villa GT (tenho um, como Vc). Agora, queira lhe dizer que estou restaurando um Puma 68, carroceria nº 13, e muitas das informações aqui veiculadas me serão de muita ajuda. Realmente a chapa do painel lembra muito a do Fissore, não sei como conseguirei fazê-la. Quanto às entradas de ar do painel, tudo indica que são as do JK, mas este não tinha os botões de entrada e fechamento.
Os relógios do meu parecm originais e têm o friso e a chapa de madeira, que está muito deteriorada e terá de ser refeita. Gostaria de saber como fazer a barra que divide o teto, preciso inclusive fazê-la também para meu Puma DKW, Vc tem informações sobre o material, medidas, etc.?
Qualquer coisa, por favor me informe, abraço

Felipe Nicoliello disse...

Lúcio,
Escreva para mim: felipe@pumaclube.com.br.
Qto a saída de ar são do JK e a abertura e fechamento é realizado nos botões ao lado, um em cada extremidade do painel. Esses botões comandam um válvula de abertura da passagem do ar, que ficam embaixo do painel, eram dos KG.
O friso tem uma técnica, utilizando o mesmo friso usado em caminhões. Vou tentar preparar o assunto e publicar.
Atenção aos instrumentos que são com o grafismo do Fusca, com velocidade até 210. Somente em 1969 veio o grafismo Puma. No Puma do Cesar (laranja das fotos), os instrumentos são do 69.

Dr. JMM disse...

hehehehe... como são as coisas né?
Apenas um ano se passou e o puma tá aqui no planalto, mais bem guardado e admirado que jamais foi.
Agradeço ao velho e viad..digo, amigo Luby, que viabilizou o "rolo" com o césar, meu amigo e negociador, pois já comprei outro puma dele, uma 74. Agradeço ao gaúcho mais macho que já vi na vida...hehehehe, o velho e bom Léo, e finalmente ao nicoliello. Obrigado, o 68, tá mais bem cuidado que, como se diz por aqui, "égua de carroceiro"...heheehe

Leo Gaúcho disse...

Vero, muito bem guardada!Fui até conferir na segunda, feriado, peguei meu felino para dar umas "bandas" e aterrisei lá no Genaro.O carro é filé.Não conheço o Cézar, espero conhecê-lo futuramente, contudo tenho que admitir que o carro está em boas mãos!Repare no comentario seu Felipe, de agosto, afirmando que os relogios são do 69!Putz Zé, vai ficar "bárbaro" com os relogios "alá" KG!

speed63 disse...

Ola! Qual o vinil e cor utilizado no puma tubar'ao 1975

Felipe Nicoliello disse...

Speed,
O vinil preto era o mesmo utilizado no teto de vinil dos Galaxie, Opala, Dogde, etc.
As cores que vc pode pintar são as cores utilizadas pelas montadoras nacionais do ano de 74 e 75.

Rodrigo Amorim disse...

Olá a todos.
Fui o proprietário do Puma GT 68 que hoje está com o Lúcio. Grande carro que deixou paixão. Comprei o carro abandonado em um terreno. Quando comprei não consegui muita informação, parabéns pelas discussões e pelo auxílio aos pumeiros.

Bruno Bastos disse...

Felipe parabéns pelo blog!!! Muito útil!!! Eu tenho Uma GTS 74 Restaurando...

Tenho uma duvida. É como você é o maior especialista de Puma do Mundo...

Queria saber que foi responsável ou responsáveis pelo desenho da Puma GT 68 modelo (tubarão) que tem basicamente o mesmo desenho GTE Spider/GTE/GTS.

Eu pensava (penso) que era Anísio Campos junto com a equipe do Rino Malzoni, porem pesquisando verifiquei que Aníso só faz referencia ao Puma GT Dkw e ao GT-4R (que tem o desenho bem diferente do GT 68 “Tubarão”.

Então fiquei com a DÚVIDA? Quem é o Designer por traz desse modelo? Se você puder me esclarecer ficarei grato Grande abraço!!!

Lista de Raquel Valadares: carros Anisio Participou: Site da Lista: http://flaviogomes.warmup.com.br/tag/anisio-campos/

1967 – Puma GT DKW
1966 – Carcará (réplica única com Paulo Trevisan)
1968 – AC biposto de corrida
1969 – Puma GT-4R
1970 – Tropí
1974 – AC monoposto Fórmula Super-Vê
S/data – Karmann-Ghia/Porsche, Equipe Dacon
S/data – Corcel Hatch, Souza Ramos
S/data – P.A.G. Dacon
1982 – 828
1985 – Escorpion Ergo Cabine
1985 – Escorpion pick-up
1987 – Topazzio
1988 – Nickinho
1988 – Nickão
1990 – Chubby
2005 – 828/3 (protótipo único com Ricardo Machado)

Felipe Nicoliello disse...

Bruno, obrigado.
Foi Rino Malzoni.
Falarei sobre o assunto.