sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Acessórios alternativos meados anos 70

Em meados da década de 70 existia um furor em consumir acessórios para carros. As fabricas não ofereciam muitos opcionais, quase nada, na grande maioria apenas a pintura metálica. O comprador escolhia o modelo, Luxo ou Standard, mas aquilo que existe hoje chamado de pacote, nem pensar. Os rádios demoraram para vir de fabrica, isso ficava por conta do concessionário ou de lojas de acessórios.
Nesse quadro, as lojas independentes vendiam a rodo os produtos de fabricantes alternativos. O Rodão foi um exemplo, começou com uma pequena loja na Rua Augusta em São Paulo e chegou a possuir quatro lojas e ser dona da fabrica de rodas, a Binno.
Cada um queria personalizar melhor seu carro da melhor maneira e para isso, os principais produtos eram os bancos, rodas, instrumentos e volantes.
Claro que alguns modelos como o Puma, já vinham bem equipados e não sofriam tanta alteração como nos Fuscas, que vinham "pelados".
Aqui reuni os principais produtos e os modelos mais preferidos pelos jovens em 1973, 1974, 1975,1976.
Bancos obrigatoriamente deveriam ter reclinadores e o desenho da forração mais utilizado era com listas horizontais.
Buzinas tipo corneta não poderia faltar em um carro de "boy".
Nesses anos as rodas explodiram em quantidades de modelos, mas nem todas tinham boas vendas. Uma roda que era "in" foi a Cruz de Malta da Scorro. Primeiro vendida como opcional pela Puma e depois colocada à venda ao grande público pelo fabricante. A moda era usar a roda toda polida, dava muito trabalho, mas era uma das rodas que ficava mais bonita.
Novas ligas apareceram para acabar com o sofrimento de polir o magnésio, e o duralumínio foi uma delas.
Uma moda muito usada foi a roda de ferro com sobre aros de alumínio escovado ou metal cromado, usando calotas centrais originais ou alternativas com desenho mais moderno.
A conhecida roda "mixirica" ou "gomo" apareceu antes com um sucesso estrondoso, que durou quase uma década. A partir de 1975, ela era fabricada com uma liga que não perdia o brilho chamada de Antálio, assim como todos os modelos anteriormente fabricados em magnésio, que deixava de ser usado.
Muitos donos de Puma e Fusca trocaram suas rodas por esse modelo, com desenho similar ao um modelo de Porsche, mas nem todos gostaram desse desenho, mesmo no carro alemão.
Assim como as "mixiricas" as rodas "palitos" chegaram cedo e ficaram muitos anos no mercado, sendo fabricada apenas em 5 furos. Existiu a palito de 4 furos, com quatro palitos para VW, mas não pegou.
Essa roda da Scorro foi outra sensação a partir de 1975 ou 1976, sendo muito utilizada por conta do modismo de colocar rodas aro 13 nos carros, já que a grande maioria vinha com rodas de aro 14 ou 15 polegadas. Hoje é ao contrário, as rodas são aro 13 ou 14 e querem colocar aros maiores. As pessoas são do contra mesmo.
Uma roda muito querida por alguns e odiada por outros, essa era o modelo Scorro S30 fabricada em antálio. Ela veio em consequência do sucesso da roda S27. Por ser cruz, alguns não gostam. Nos anos 90 a chamaram de cruz de malta, mas não é a verdadeira Cruz de Malta de 1973.

 A Scorro S27 fez muito sucesso entre os carros que utilizavam rodas de 5 furos, como Opala, Maverick, Dodge, e principalmente nas pistas, o lugar onde ela nasceu em 1972, segundo o fabricante.
 A S27 marcou tanto que a Scorro atualmente lançou uma roda com desenho baseado nela e chamou de S207.
 O fabricante Stock foi um dos primeiros a utilizar a liga de duralumínio com esse modelo que fez bastante sucesso.
Depois com o sucesso do modelos de raios da Scorro, a Stock lançou seu modelo parecido, que não atingiu o sucesso da anterior.
A famosa roda "tijolinho" aro 13 polegadas. Entre a molecada, os "boys" para os velhos, não tinha outra roda, era a preferida, por ser a mesma que os carros de corrida utilizavam, como o Puma #48 de Angi Munhoz e José Martins. Foi adorada até o começo dos anos 80...
... Sempre com rodas cada vez mais largas.
Outra que apareceu e "pegou" foram os modelos da Titânio. A roda não era de titânio e sim de antálio, mas o nome do fabricante sugeria o material. Quem entendia da composição de materiais, ria quando alguém falava que eram feitas de titânio, o material mais duro e mais caro da Terra.
A linha de opções de aro e talas era grande na Titânio, sendo utilizada na maioria dos modelos de carros. Depois virou padrão para buggys, isso até a chegada das rodas "gaúchas" anos depois.
Mas nem só de rodas bonitas os carros de boys desfilavam pelas avenidas, tinha que exibir um lindo volante. O diâmetro sempre foi diminuído pelos consumidores e uma boa alternativa para deixar o carro "chic" era usar o volante F1, da Fittipaldi, muito utilizado nas pistas. Tudo que fosse bem nas pistas ia bem nas vendas.
Junto com o volante, os instrumentos exibiam beleza em qualquer painel. Quanto mais melhor. Claro que sempre existia alguém que extrapolava e acabava virando cafona. Mas em um verdadeiro carro de boy, não poderia deixar de ter pelo menos um contagiros, para mostrar que andava sempre em alta rotação ou tinha motor preparado.
Somados a tudo isso, o som também deveria ser o melhor, mas aí é outro capítulo.

9 comentários:

Fernando Portilho disse...

Olá Felipe, sensacional este post.
Uma volta ao passado, na Rua da Consolação havia a Dragster e no Itain a Bircl's do Bird Clemente, que naquela época era dirigida pelo "Zé" e o "Alemão", ponto de encontro da turminha no sábado pele manhã para bater papo e falar de carros, muitas vezes tínhamos a presença do Bird (grande mestre).
Perto dalí a Zune...bons tempos!!!
Abraço

walter ramos disse...

Interessante esta volta à epoca que vc fez !

Quem não se lembra dos farois de milha , vidros fumê , suspensão rebaixada , escapamento "direto", e outras tantas invenções que nós , jovens da época, e ainda jovens da atualidade , não faziamos nos carangos.

Será que alguns de vcs , não lavavam o carro todo numa tarde de sabado, enceravam, passavam glicerina nos pneus e outras coisas
para dar umas "bandas" a noite?
Eu fazia sistematicamente.
Meus amigos da rua também !
Depois , a noite ....
Bem, as histórias são sempre muito boas!

Walter

walter ramos disse...

Felipe

Concordo com sua filtragem mais ativa do blog.
Tenho uma queixa :

"Os caracteres para digitação nem sempre estão muito inteligiveis ou visiveis ".

Tem como melhorar?

Walter

Sergio Tempo disse...

Meu primeiro carro foi um Chevette 75, isso em 1981, tinha rodas de magnesio, todo sabado tinha que polir, na epoca usava o polidor brasso com bombril seco, ficava horas polindo, para durar no maximo 2 dias, hehehehehe

Felipe Nicoliello disse...

Walter,
Tb acho ruim esses caracteres, mas isso é do google e sei bem o porquê. Conseguiram burlar os mecanismos de spam e encherem de comentários de propaganda. Eu mesmo tive que colocar na moderação pq tive que apagar um por um, mais de 60 desses comentários. Se fosse só pelo Saruê, chita da silva e outros personagens, eu nem ligaria, aliás para essa turma podem continuar colocando que eu aprovo a publicação.

Marco Garcia disse...

PARABÉNS PELA MATÉRIA!!! Estava buscando informação sobre a diferença entre duraluminio e antalio, alguém saberia dizer? Pois não achei nada na net sobre a composicao do antalio, apenas que ele é uma liga de alumínio com outros metais. Já do duraluminio pude aprender um pouquinho mais. Essas rodas fazem sucesso até hoje. Tenho um Dart 71

Felipe Nicoliello disse...

Marco, os principais elementos de liga das ligas de Alumínio incluem combinações dos elementos: Cobre; Magnésio e Manganês. Mas para cada tipo de utilização e construção é uma composição. Não sei ao certo a origem do nome antálio, mas era somente designado às rodas, talvez para dar nome a um tipo de material utilizado. Nas rodas de antálio, o brilho era diferente de cada fabricante, demonstrando assim que as composições não deveriam ser exatamente iguais. A Jolly fabricava rodas com um brilho muito claro, e descreviam como sendo de alumínio, ou seja, deveria ser uma porcentagem maior de alumínio, que de outros grupos de ligas.

Math3uz disse...

Vcs tem imagens desse catálogo de rodas scorro?
sou administrador da página corcelpedia do facebook e queria saber se podem me mandar esse material para fazer um post sobre os modelos de rodas scorro que sairam para o corcel. meu e-mail é corcelpedia@hotmail.com

e a pagina do facebook: https://www.facebook.com/corcelpedia

desde já agradeço pela atenção e parabéns pelo blog! sempre acompanho e até compartilho algumas imagens que vocês postam aqui na página corcelpedia!

Abraço!

Daniel Pardo disse...

As lembranças que tenho dos Fuscas e dos outros carros personalizados já são da década de 80 quando eu era moleque e via muito Fuscas com a frente rebaixada e rodas de SP 2 com volantes esportivos e toca-fitas com equalizador TOJO.