quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Placa preta e Inspeção Veicular, a palhaçada continua

A placa preta e inspeção veicular são os problemas dos governantes da maior cidade da América Latina e sexta colocada no mundo, a cidade de São Paulo. A inspeção foi criada para controlar a emissão dos poluentes em uma cidade esgotada com tanta poluição. Certo,  nada mais justo, desde que as medidas tomadas fossem mais técnicas e não burocráticas. Quem deveria determinar a avaliação e os anos dos veículos a serem vistoriados deveria ser os engenheiros responsáveis pelo assunto, junto com dados da frota paulistana. A partir disso a criação das regras e como deveria ser implantada. Não dá para generalizar tudo. Depois de muita reclamação, os governantes resolveram isentar dessa inspeção os veículos abaixo de 1965. Com qual base foi tomada essa medida? Ninguém responde, porque não existe uma base técnica por trás, nem de mecânica  muito menos o quantitativo da existência desses veículos. A princípio eu concluía que poderia estar relativo ao Código Nacional de Transito, que em meados dos anos 60 entrou em vigor um novo Código. Mas hoje vejo que não é nada disso, mesmo porque nesse código não relatava nada sobre alguma exigência mecânica que pudesse mudar o veículo, como aconteceu em 1997, com a obrigação do uso de catalisador e injeção eletrônica. O que eles fizeram foi um "cala boca" na população, sem base alguma, como faz o candidato à Prefeitura de São Paulo, o tal de Paulinho da Força que quer isentar os veículos novos e fazer inspeção só nos mais velhos, por causa disso e daquilo, sem base científica ou estudo sério para sua implantação. Um veículo com dois anos de uso pode muito bem estar poluindo demais, basta rodar muitos quilômetros e não fazer manutenção adequada. A idade não determina o estado do veículo e sim sua quilometragem e sua manutenção. Se a vida média de um catalisador é de 60 a 80 mil km, a pessoa pode não trocá-lo e estar poluindo. E se você achar que um carro de dois anos de uso é impossível ter essa quilometragem, se engana, tem gente que roda 30 a 40 mil km por ano. Sem falar de muitos outros problemas que qualquer mecânico de autos novos pode lhe relacionar rapidamente. Então o candidato está "aplicando" um ato eleitoreiro confundindo as opiniões para tirar proveito. Nem o atual prefeito da cidade quando implantou esse sistema mostrou competência técnica para realizá-lo. Vendeu seu peixe como um bom menino, que estava preocupado com a poluição. Vai ver que no dicionário dele essa palavra significa arrecadação. Quem está preocupado com a poluição toma várias decisões conjuntas para evitar algum problema eminente e não apenas crucificar os veículos, parecendo ser os únicos vilões dessa história. Atitudes como implantar mais e melhores transportes coletivos para desestimular o uso do automóvel, melhorar as vias de tráfego ou executar um planejamento da cidade, quanto à utilização comercial e residencial para que não haja tantos deslocamentos distantes, isso não acontece, porque só gera despesas sem arrecadação e não dá triunfo político para ninguém, pois só verão os resultados no mínimo em uma década. Só para exemplificar, o Detran de São Paulo ficava em um edifício no Parque do Ibirapuera,  prédio imponente de arquitetura do Niemeyer, que era usado para fins não tão nobres. Foi requisitada a desocupação para abrigar um Museu, nada mais justa. O Detran foi desmembrado em três locais, sendo dois na zona norte e um no centro. Isso acaba de contribuir para mais deslocamentos e consequentemente mais poluição. Por que simplesmente a Prefeitura não mudou para outro edifico em local único, como era antes, apenas mudando de endereço. Aí vem nossos governantes dizendo que apesar de estar em endereços diversos, todos são serviços pelo Metrô. Mas o Metrô não serve toda a cidade...
Por insistência de muitos colecionadores, o projeto de lei de isenção da vistoria para veículos placa preta passou, que se viam obrigados a desistir das coleções, se tivessem que levar cada veículo para inspeção anual. Um ou dois veículos não é nada, mas para quem tem uma dúzia, a coisa é bem complicada e são por causa desses colecionadores que a cidade movimenta essa cultura. Eles têm o atrativo que mostrada às pessoas criam desejos e despertam o bichinho da ferrugem em novos adeptos. Enfim, a placa preta salvou a coleção paulistana de veículos antigos, mas criou um novo comércio para aqueles que não poderiam receber a certificação e ficaram a mercê da vistoria. Alguns despachantes criaram clubes para certificação de originalidade,  se cadastrando diretamente no Denatran em Brasília e passarem a serem credenciados. Objetivo vender placa preta. Já não bastava termos pessoas não habilitadas para avaliação, despachantes mal intencionados falsificaram certificados e entravam com pedidos de placa preta no Detran de São Paulo. Nada disso tem comprovação, apenas ouvir falar e pelas atitudes do próprio Detran, que começam a exigir muitos documentos dos clubes emissores para terem certeza da veracidade do Certificado de Originalidade.
Por causa dessa total incompetência de implantação do sistema de inspeção veicular gerou inúmeros problemas para uma cidade repleta deles.
Até quando nossos governantes vão fazer politicagem ao invés de atitudes técnicas e científicas?

6 comentários:

iRineu disse...

Felipe,

Ainda acrescento mais mais um fato aos que você acaba de elencar, todos obviamente corretos no que toca a nossos carros colecionáveis que mal saem de suas garagens e consequentemente não contribuem tanto quanto um ônibus diesel que anda o dia todo pra cima e pra baixo em congestionamentos-monstro no quesito emissão de poluentes. Nem vou discutir a isenção dos carros pré 1965 já que imagino ser a escolha desse ano absolutamente aleatória e eivada de qualquer consideração técnica.

Como em todo serviço onde o poder público mostra a cara com fins eleitoreiros e/ou meramente arrecadatórios, a empresa que gerencia o Controlar montou um teatrinho travestido de procedimentos supostamente técnicos e treinou seus funcionários a agir como cães bem adestrados.

Mas, tendo passado um pouco do prazo da vistoria de um dos meus carros, levei-o hoje para uma das agências controlatórias. O carro, claro, passou na verificação de emissão de poluentes e com galhardia, apesar de seus quase 15 anos de bons serviços prestados. Só que, para meu desalento, foi reprovado na inspeção.

Um funcionariozinho treinado a dar as devidas explicações me fez levantar o capô outra vez e me apontou uma mangueira desencaixada na caixa do filtro de ar (dreno de água da caixa do filtro - tanto faz estar encaixada ou não). Perguntei, claro, imediatamente se seria somente aquele o motivo da reprovação. Era. Não me fazendo de rogado, reencaixei a mangueira no lugar e pedí que se reemitisse outro relatório, já que quanto às emissões não tinha nenhum problema. Perguntei também se já que o vistoriador tinha notado e estava com luvas, por que não a reencaixou. "Porque não fazemos manutenção", respondeu o indigitado.

Vou poupá-los do diálogo que seguiu esse fato. Mas quem me conhece deve imaginar como deve ter sido. He he he...

Mas cabe uma pequena reflexão a esse respeito. O fato é que o programa de controle de emissão de poluentes, apesar de bem intencionado e não meramente arrecadatório (espero eu) foi mal concebido e está sendo mal aplicado por funcionários incapacitados tecnicamente falando.

Um cara que conhecesse realmente mecânica, que seja dos modelos mais comuns como é o caso desse carro que foi reprovado hoje por esse motivo banal e estúpido, teria reatado a mangueira ou me avisado ANTES de reprovar o carro porque a solução demorou aproximadamente quinze segundos.

E esta não é a primeira ocorrência desse tipo que acontece comigo. Um outro carro meu já teve sua bomba de gasolina queimada intencionalmente por um funcionário do Controlar e já caí na mão de uma oficina "credenciada" que queria tirar o cabeçote de um outro carro meu para ser retificado. Um carro com 50.000 km rodados, diga-se.

Ou seja, não há empenho dos funcionários em realmente tentar resolver pequenos problemas e evitar com isso a perda de tempo dos usuários forçados desse sistema.

E há várias outras implicações tais como mudança de local de matrícula de vários automóveis, o que inclusive esvazia a arrecadação. Mas isso deve ter sido muito bem calculado face ao volume de carros "controlados".

Fim da reflexão.

Em tempo, o teste de emissões foi feito com o dreno de água da caixa do filtro de ar desencaixado. O que não mudou e jamais mudará o desempenho ou volume de emissões do carro.

Abraço,

Irineu

JOÃO PEDRO MARCHINA disse...

Já são muitas histórias, sendo elas consequências do despreparo dos 'examinadores', pessoas sem noções básicas de como lidar com um carro, como tratar um motor e como avaliá-lo, cheios de pose e poder, sem possibilidades de argumentação (de certo alegam que isso impossibilita caixinhas para quebrar o galho), desconhecem características peculiares de certos carros e motos novos e antigos. Não querendo puxar a brasa para a minha sardinha, quantos carros com mais de 30 ou 40 anos existem na cidade e destes quantos circulam diariamente uma quilometragem que possa prejudicar tanto o nosso ar? Por que não isentar todos com mais de 30 ou 40 anos, independente de ter placa preta ou não! Acabaria com esses pseudos clubes e com o comércio das placas pretas. É também sabido, que quase a totalidade dos carros são regulados para passar no Controlar e depois de aprovado volta-se ao mecânico para deixar o mesmo em condição de uso. Aqueles mais velhinhos que não tem condição passar no Controlar andam livremente, principalmente pela periferia, sem ter feito a inspeção
, com documentação toda irregular e o ESTADO faz vistas grossas ( apreender um carro desses e colocar aonde?, viremos para o outro lado).
Desopilei um pouco... abraço a todos

Adauton disse...

Uma coisa certa tenho visto diversos veiculos a venda no mercado livre, web motors, etc... Destacando que seu veiculo não tem placa de São Paulo o que dispensa o controlar... tenho visto uma desvalorização desses veículos com placas da capital.

Será que a prefeitura de são paulo vai conseguir fazer todos os carros passarem pelo controlar? ou vai ter a maior frota de veículos de outras cidades???

Essa situação é apenas mais uma palhaçada de nossos governantes que nos brasileiro engolimos ao invés de dar a cara a tapa, queria ver se absolutamente ninguém fizesse essa vistoria.
Será que impediriam todos os carros de rodar ou acabaria de vez isso????

walter ramos disse...

Um comentário:

Não quero ser repetitivo ao Irineu com o que vou falar.Apenas relatar que já vivi situação semelhante à dele na hora dessa pseudo inspeção, e me senti completamente impotente para argumentar.
O sentimento de revolta está no fato que aquele individuo que realiza o "exame" do carro, não tem noções basicas da função que está executando, mas... , se veste com uma roupagem de expert na atividade.
São treinados para serem polidos e não abrirem discussão, porém são irredutiveis nos seus "diagnósticos".
Na verdade , esse exame do carro consiste em colocar uma sonda na saida do escapamento, passar um espelho sob a carroceria e abrir o compartimento do motor para ver se não há vazamentos ( como todos aqui sabem).Sabemos que inspeção de fato é um conjunto de procedimentos tecnicamente elaborados, consensualmente discutidos por pessoas com saber na matéria e aplicados por tecnicos sabidamente preparados, que têm competencia para julgar os resultados.
Dito isto,e não querendo me alongar( o que já fiz),divido esse espaço apoiando o comentário do amigo Irineu .

Walter

iRineu disse...

Nisso, Walter Ramos, eles são bem treinados. Não levam mesmo adiante qualquer provocação. E olha que eu caprichei...

Milton Baungartner disse...

Dei uma pesquisada na internet e notei que depois que apareceu a portaria de isenção dos veículos até 1965 o assunto inspeção x antigos deu uma boa esfriada.....só vejo post velhos. Parece que o assunto encerrou...não encerrou não! Ora, e os donos de carros antigos após 1965, como ficam? Um dono de fusca 1965 tem uma "raridade" isenta e outro, dono de um modelo 1966, tem um "vilão", um carro "lixo", poluidor fatal, que merece ser banido da sociedade? Como vai ficar a história do antigomobilismo em São Paulo daqui a alguns anos? Os carros do fim dos anos 60, das décadas de 70 e 80 terão que ser jogados no lixo, simplesmente por não poderem ser regularizados. Já que esse ano aleatório foi escolhido(1965), Deus sabe para beneficiar a quem, que ao menos ele seja atualizado ano a ano, para não prejudicar os donos de carros antigos em bom estado. Tenho penado tanto, todos os anos, para licenciar meu fusca 1969 que já estou sem paciência, pensando em vender o carro que mantenho com tanto carinho por mais de 23 anos. E sabem quanto ele andou em um ano, de 2012 a 2013? apenas 900 quilomentros. Quem polui mais? Meu carro ou um que enfrenta o trânsito todo santo dia, fazendo 5 ou 6 mil quilômetros a cada seis meses? Ora, o próprio prefeito Haddad declarou, em alto e bom som, que a Controlar é um papa-níquel, irregular até a raiz dos cabelos. É por isso que nós, donos de antigos, não devemos e não podemos ficar calados. E não penso em me filiar a clubes para obter placa preta. Não sou e ninguém deve ser obrigado a isso. Para os clubes é uma situação muito cômoda...quanto mais sócios melhor. Por isso se mantém calados, se aproveitado de uma legislaçao que, junto com a Controlar, e a prefeitura, selou os nossos destinos. No futuro, será mais fácil ver um esqueleto de dinossauro no museu do que um Corcel 1985. Só em fotos e na lembrança dos mais velhos.