quarta-feira, 19 de março de 2014

Puma de corrida - GT Malzoni #17 (2)

Há muito tempo eu vinha procurando a imagem do GT Malzoni #17 colorida e no post anterior foi publicada a imagem.
Isto porque, a imagem mais conhecida é esta abaixo, em preto e branco. O grande interesse por este Malzoni é pelo simples motivo que era o veículo de Rino Malzoni. Um pré-série para elaboração do projeto final. Segundo Anísio Campos, esse carro tinha algumas partes de metal. 
O GT Malzoni já havia estreado nas pistas em 14 de março de 1965, na "I Três horas de velocidade", realizada em Recife-PE, com Marinho ao volante do GT Malzoni #9.
Em junho do mesmo ano foi realizado o "II Grande Prêmio Estado da Guanabara" e para a corrida, a Luminari  resolveu participar com dois GT Malzoni: Marinho e Chiquinho Lameirão com o #7 e Norman Casari e Anísio Campos com o # 17.
A corrida foi matéria na revista Auto Esporte de julho de 1965, que foi publicada anteriormente aqui no Puma Classic. Vamos repetir a publicação para entendermos toda história.
Para facilitar a leitura, separei o texto em blocos.
Interessante a matéria que fugia dos padrões jornalísticos daquele tempo, parecendo até uma conversa contada por amigos. As vezes um pouco confusa para se familiar, pois o autor não se refere ao veículo e sim ao número do carro de corrida.
Logo de início é declarado o "tapetão", que acaba prejudicando os Malzoni.
Na corrida, com 25 competidores, nomes e carros importantes no cenário automobilístico nacional. E começa a descrição de toda corrida...
...Contada em detalhes, inclusive a desclassificação do Malzoni #7 de Marinho/Lameirão.
Dá para imaginar como deve ter sido a disputa.
Depois a análise de cada equipe, nada comum em reportagens. Com isso, vemos que organização em equipe existe há muito tempo.
Na análise dos carros, os elogios aos Malzoni, ao Mestre Lettry e a confirmação das diferenças entre os dois Malzoni, o #7 com motor mais potente, mais leve e com suspensões melhores, provando que o #17 não era um verdadeiro carro de corrida.
Os pilotos também receberam a análise do autor, nomes que em pouco tempo se tornaram os grandes pilotos brasileiros. Para os mais jovens, Môco era o apelido do saudoso José Carlos Pace, piloto que correu e venceu na F1 pela Brabram.


E a classificação final, com Norman Casari e Anísio Campos na 12° colocação, boa posição para um carro de rua.
A história desse carro não para aqui. Segundo Carlos Zavatarro, depois da corrida o GT Malzoni #17 foi vendido ao piloto Newton Alves.
Perseguindo a história, esse veículo pertenceu ao piloto Celso Gerbassi que capotou o Malzoni no circuito de Jacarepaguá ni Rio de Janeiro. Depois da capotagem, Gerbassi encomendou outra carroceria a Lumimari e vendeu os restos ao piloto Abelardo Aguiar, que também tinha capotado seu Espingarda Alfa Romeo. Quem conta toda história é o meu amigo Roberto Nasser aqui O Espingarda que virou Trambealfa depois Alfazoni e o Onça.
Então, com um chassi FNM 2000, a carroceria do #17 virou o Alfazoni (foto abaixo). Por isso, na relação dos proprietários de GT Malzoni, o Alfazoni de Pedro Paulo Viola consta com uma numeração completamente diferente dos Malzoni. Agora onde foi parar o chassi do #17 ainda não descobri e quem puder dar alguma informação para ajudar a descobrir o restante da história, será muito bem vinda.
Hoje temos uma recriação do GT Malzoni vermelho com faixas prata de Rino. O carro pertence ao Dr. José Luiz Fernandes e em 2009 estava em fase final de montagem. Ainda faltavam os faróis auxiliares integrados na grade dianteira, friso lateral e para-choques inteiriços.
Mas a fidelidade do projeto está sendo seguida.
As lanternas importadas (de Jaguar) destacam a traseira esportiva dos Malzoni.

O bocal de abastecimento rápido, como no modelo de corrida é fiel a suas origens.
Bolhas nos faróis...
... E lanternas de  Jeep, Rural (tudo igual), tudo respeitando a originalidade do modelo.
O motor ainda não estava instalado...
...Assim como os instrumentos...
...Que já restaurados, exibiam o grafismo DKW, original do Malzoni.

Apenas o conta-giros era exclusivo da Lumimari / Puma.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Puma de corrida - GT Malzoni #17

A imagem saiu na revista Quatro Rodas de janeiro de 1968, descoberta pelo meu amigo e colaborador Mazinho, de Criciúma-SC. Interessante o texto, que enaltece mais os criadores do bólido, Rino Malzoni e sua equipe, que propriamente o esportivo. Concordo plenamente, apesar do GT Malzoni ter se tornado uma estrela das pistas, com muitas vitórias, o projeto como um todo foi o primordial para o sucesso dele nas corridas e até nas ruas.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Antenas Automotivas no Puma

Primeiramente preciso esclarecer que esse equipamento, a antena, assim como os rádios e os auto-falantes não eram fornecidos pelas montadoras no Brasil. Apenas havia a previsão do local a ser instalado no veículo. Cada comprador que escolhesse o modelo e a loja para sua instalação. No começo dos anos 1970, os concessionários de um modo geral começaram a oferecer o serviço, porque antes nem isso.
Claro que no caso Puma as coisas sempre foram diferentes e os concessionários Puma sempre agradavam seus clientes com produtos de ponta.  
As antenas não tinham local determinado para instalação, nem tão pouco uma convenção adotada por algum fabricante, seja de veiculo, de antena ou de aparelho. Uma coisa era certa, no Brasil adotávamos o modelo americano de colocar no para-lama dianteiro. Assim cada um colocava onde achava melhor, do lado do motorista ou do lado do passageiro. Existiam justificativas para a opção do lado, colocar do lado do motorista favorecia o levantamento da antena sem sair do veículo. Outros não concordavam pois atrapalhava a visão do seu lado. Existia também resistência em colocar do lado do passageiro, pois facilitaria o vandalismo, que na época era feito por crianças que mexiam nas antenas para brincar, ocasionam a quebra, devido a fragilidade do telescópio. 
Como não existia regra, este Puma GT 1969 está com a antena de base reta, do lado do motorista.
 Já neste Puma GTE 1800S, a antena é a de base inclinada e também do mesmo lado. Ainda nesta época a preferência era por este lado devido ao vandalismo.
 Mas com o decorrer do tempo, o vandalismo diminuiu, afinal pai que se prezava dava bronca nos filhos por quebrarem algo dos outros. Existia o respeito social. E assim os proprietários voltaram a instalar a antena do lado da calçada, mas mesmo assim,  muitos se preveniam abaixando a antena depois de estacionar.
Como mencionei existiam apenas dois tipos de antenas telescópicas para automóveis, base reta, para para-lamas retos, como as "banheiras" americanas e base em 45° para modelos com para-lamas arredondados, como o Puma e principalmente o Fusca. Era instalada na caída do para-lama.
 A antena de base reta, no Puma, era instalada na parte reta do para-lama. Sempre nessa área, para poder ter acesso a porca de fixação por dentro do Puma.
Como em alguns detalhes automotivos o brasileiro optava pelo gosto americano e não europeu, a antena colocada no para-lama traseiro começou a ser bem visto, se tornando um charme... 
...Principalmente nos modelos conversíveis. Mas para isso o cabo que liga a antena ao aparelho de som deveria ser bem mais comprido. Para tanto havia a necessidade de comprar uma extensão, que no final das contas era uma emenda que com o tempo poderia dar problemas de interferência no sinal. Mas o grande problema era o fato de estar longe do motorista para abaixar/levantar, a antena na traseira não decolou até a chegada da antena elétrica. 
A antena elétrica solucionou este problema como muitos outros, até os aerodinâmicos, pois em alta velocidade, o "poste" oferecia resistência ao ar e as vezes até quebrando. Com a elétrica o conforto chegou para alegrar a muitos proprietários, mas se tornou um item de "status", pois custava muito caro. 
Até que mais ou menos em 1978 (sinceramente não fiz o levantamento preciso da data) surgiu a famosa antena de molinha, como ficou conhecida. Era uma antena fixa, de 60 cm, que na base tina uma regulagem de inclinação e uma "mola", que lhe dava flexibilidade. Como elas eram baratas, fáceis de instalação, e poderia ser colocada em qualquer lugar por não embutir, o sucesso foi garantido. 
 As pessoas gostaram desse modelo, pelo resultado final do visual: o varão acompanha paralelamente a coluna do para-brisa, deixando de ser aquele "poste" da antena telescópica.
 Além disso, como a antena girava em seu eixo, a inclinação poderia acompanhar exatamente a coluna...
 ... Que na quase totalidade dos automóveis modernos, se fecham para o alto, casando perfeitamente com qualquer tipo de veículo.
 Mas se o instalador de antena não fosse bom ou pouco preocupado com a estética, a antena em local errado era pior que a antena telescópica, que neste aspecto não tinha esse problema.
 Esse modelo de antena ganhou o mercado brasileiro em quase sua totalidade, principalmente os esportivos. Naquele tempo, as pessoas que admiravam o desenho de um carro esportivo tinham gostos diferentes, mas todos sempre concordavam que a antena tipo poste, estragava qualquer esportivo...
 ... Imaginem veículo com desenho singular como o Formigão Renha, que se não tivesse esse tipo de antena, era obrigado a colocar as antigas antenas de caminhão, Kombi, fixadas nas laterais.
 Como o sucesso foi grande, vários fabricantes lançaram seus modelos, com diferença mínimas. A mais diferente era esta que tinha um prolongamento do bico na base, muito charmosa e era mais cara.
 A antena foi acompanhando a modernização e no final da década de 1970, com o modismo de não ter cromados, ser tudo em preto fosco, a antena também acompanhou e o modelo "molinha" foi fabricada em preto fosco.
 Na verdade esta antena não era nenhuma novidade para os europeus. Lá no Velho Mundo há muito tempo era utilizada, só que no teto. Por ser mais curta, a localização do teto melhora a recepção do sinal.
 Mesmo os esportivos europeus, como este Lamborghini Urraco 1975, utilizavam desse artificio para atingir melhor o sinal.
 Em Puma também existiu quem seguiu o modelo europeu, mas brasileiro sempre faz muitas associações e chifre nunca foi um coisa muito admirada pelo machismo do Brasil. Assim, antena no teto era chifre e chifre ninguém queria. A mesma coisa que aconteceu com o teto solar, que falavam que era para por os chifres para fora.
 Como as antenas de "molinha" eram baixas, boas somente para FM e assim mesmo em locais de bom sinal de recepção, somados ao progresso urbano, com muitos edifícios e aumento da malha de diversos sinais cruzando pelo céu, esse tipo de antena começava a irritar seus usuários. A primeira tentativa foi o lançamento da antena de "molinha" em dois estágios, ou seja, era fixa em uma parte, como a anterior e telescópica em sua outra parte, dobrando seu tamanho. Mesmo assim a recepção começava a ficar difícil para qualquer tipo de antena.
A  partir deste fato, os fabricantes desenvolveram um modelo eletrônico que ampliava a recepção do sinal com pouca altura. Assim nasceram as antenas eletrônicas. A Truffi continuava fabricando todos os modelos de antena, como mostra em sua propaganda.
 No Puma Export  vinha com som instalado e antena eletrônica. Muitos gostaram, outros odiaram. A antena eletrônica de diversos fabricantes não tinha bom desenho e visual, era ame ou odeie.

Até a chegada das antenas internas na década de 1990, que não deixam de ser eletrônicas, mas escondidas, atendendo o anseio de muitos proprietários de esportivos. Para vocês terem ideia, quando fui separar as imagens para publicação, me dei conta que a maioria dos carros restaurados não tem mais antena externa. A grande maioria não quer saber de colocar nenhum tipo de apêndice.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Quebra-cabeça (31)

Existe algo muito raro neste Puma, alguém sabe o que é? 
Vale um Chaveiro para primeira resposta correta e completa, explicando o por quê da raridade. 

MAIS UM - Puma GT (DKW)

O Puma GT 1967 já fazia parte do jardim, em meio aos Formiuns (Phormium tenax), Costela-de-adão (Monstera deliciosa) entre outras espécies, algumas forrageiras daninhas e, servindo de vaso para a Tradescantia miníma (Callsia repens), até que alguém o salvou. Pela patina que se formou parecia até feito de chapa de aço, que enferrujou.
Seu n° 1143 mostra ser do final de sua fabricação em 1967.
 Hoje está bem recuperado do seu estado anterior e será completado no padrão original.
O veículo pertence ao colecionador de esportivos Alexandre Goulart.

Anuncio (142) - Puma Sports Cars

O anuncio da Puma Sports Cars da África do Sul foi publicado na revista Classic and Performance Cars Africa, de outubro/novembro de 2013. A imagem foi enviada pelo Alexandre Goulart do blog Esportivos fora de serie.

Pelo retrovisor de um Puma